Bairros

Pregadores por vocação

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Um ímpeto missionário de fazer inveja a qualquer grupo religioso move os fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os mórmons. Eles costumam saber a doutrina que seguem de cabo a rabo e estão prontos a rebater qualquer crítica que se faça aos preceitos que teriam sido revelados pelo profeta Moroni ao norte-americano Joseph Smith, em meados do século 19 (leia mais no texto ao lado).

Para eles, qualquer instante é propício à pregação. Seja durante um almoço, um conversa informal ou mesmo enquanto concedem entrevista a um jornal, os mórmons não medem esforços para arregimentar novos fiéis.

“Como tivemos a graça de conhecer a Verdade Restaurada do Senhor Jesus, queremos que as demais pessoas também possam gozar desse privilégio”, explica o bispo Aparecido José Sotero, responsável por uma das três igrejas mórmons existentes na cidade, situada no Jardim Santana, próxima ao Terminal Rodoviário.

A igreja está prestes a inaugurar mais um templo na cidade, localizado na Vila Independência, prova de que o trabalho dos missionários está sendo bastante frutífero. Divididos em duplas, eles percorrem seis regiões da cidade - tal como os 12 apóstolos de Jesus teriam percorrido a Judéia e a Galiléia em viagem missionária, cerca de 2.000 anos atrás.

Carlos Freitas, 24 anos, é natural de Olinda e atua há dois anos como evangelizador, ou elder, na designação utilizada pelos mórmons. “Desde que me converti, sempre tive o desejo de levar a Palavra de Deus até as pessoas”, diz.

Freitas poderia ser considerado um elder experiente, pois já teve 15 diferentes parceiros de evangelização. André Santiago, seu colega atual, ainda é novato. “Comecei há apenas três meses, mas estou gostando bastante”, afirma.

Com suas vestes características - camisas brancas, calças e gravatas azuis e uma maleta preta nas mãos -, os dois têm percorrido diversos bairros da zona norte de Bauru levando aquilo que chamam de “Verdade Restaurada”. “Alguns missionários chegam a largar emprego e faculdade para se dedicar a esse trabalho”, garante o bispo Sotero. Além do ardor missionário, Freitas e Santiago teriam contado com apoio da Divina Providência para se tornar missionários.

“Todas as pessoas que querem se engajar numa missão têm de preencher formulários, que são encaminhados ao ‘Profeta-Vivo’, Gordon B. Hincley (ele vive na cidade norte-americana de Salt Lake City, no Estado de Utah). Ele analisa os papéis e, iluminado pela sabedoria do Senhor, decide se a pessoa está ou não apta a atuar como missionário”, explica Sotero.

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Saiba mais

Os mórmons são membros de uma religião que teria sido revelada ao norte-americano Joseph Smith, em meados do século 19. Ele teria recebido a Verdade Restaurada dos Evangelhos de Jesus Cristo do profeta Moroni, filho de Mórmon, que por sua vez teria sido uma profeta-historiador que viveu nas Américas por volta do ano 400.

Além das verdades, Moroni teria transmitido a Smith “O Livro de Mórmon”, que contém textos de profetas que teriam vivido entre os ano 600 a.C. e 400 da Era Cristã. Os textos originais teriam sido gravados em placas de ouro.

Surgida no Estado norte-americano de Utah, a crença se difundiu pelo mundo todo. Calcula-se que existam, atualmente, mais de 12 milhões de mórmons ao redor do planeta. Estima-se, ainda, que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos conte com mais de 53 mil missionários em diferentes países. Castidade e respeito aos Dez Mandamentos são alguns dos princípios básicos defendidos pelos mórmons.

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