Bairros

Fé com pés no chão

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Transformar o mundo pela fé. Esta é a tarefa dos missionários católicos nos dias atuais. “O homem é íntegro e precisa ser encarado como tal. Quando o corpo clama, a alma reclama. Por esse motivo, nós, missionários, temos de combater as privações humanas, independente delas serem materiais ou espirituais”, explica o frei Ernani Pereira Marinho, 36 anos, responsável pela paróquia de São Paulo Apóstolo, na zona norte de Bauru.

O frei Jorge Luiz Maoski, 49 anos, pároco da Igreja de Santo Antônio, no parque Bela Vista (zona oeste da cidade), tem uma visão bastante parecida a respeito do papel do missionário. “Precisamos encontrar meios para ligar a fé à vida concreta das pessoas. Temos de passar a elas uma espiritualidade que não é desencarnada, mas que tem os pés no chão”, pensa.

Os dois pertencem a ordens religiosas diferentes. frei Ernani é inaciano, ao passo que Frei Jorge é franciscano. Ambos nasceram em locais distantes de Bauru - Marinho no Rio de Janeiro, Maoski em São José dos Pinhais, (PR) - e tiveram uma profunda educação católica quando crianças.

Jorge decidiu ser missionário quando ainda era garoto. “Entrei para o seminário franciscano aos 13 anos de idade”, recorda. Ernani demorou um pouco mais para abraçar a vida religiosa. “Trabalhei como militar antes de me tornar frei”, afirma Marinho, que, por sinal, atuava na Marinha.

Ainda nas forças armadas, Marinho sentiu a vocação missionária falar mais alto. “Naquela época eu já participava dos grupos de evangelização voltados para militares, até que um dia tomei conhecimento do trabalho dos inacianos. Resolvi, então, entrar para a ordem”, relembra Ernani, que na época tinha 23 anos.

Desde então, ele vem se empenhando arduamente na luta contra as carências humanas. Em Bauru o trabalho não está sendo fácil, mas já vem rendendo alguns resultados positivos. Hoje a paróquia de São Paulo Apóstolo mantém projetos de geração de renda e de doação de alimentos que atendem diversas famílias em bairros como Pousada da Esperança e Núcleo Nova Bauru.

Frei Jorge, que está há apenas três meses na cidade, pretende desenvolver trabalhos semelhantes na paróquia de Santo Antônio. ”Nosso povo é muito religioso e tem sede de Deus. Temos de nos esforçar para poder responder aos anseios espirituais e materiais dessas pessoas”, acredita.

Comentários

Comentários