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Bom desempenho pode ser efeito placebo

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (Prosex), destaca que a utilização do Viagra ou outros medicamentos para impotência entre os jovens causa o chamado “efeito placebo”, ou seja, o remédio tem efeito psicológico em quem utiliza. Isso significa que o fato do desempenho sexual de um homem de 20 anos ser bom após usar o Viagra não significa que foi por causa do medicamento, mas da associação que esse homem faz do uso do remédio com seu desempenho.

Um estudo realizado em 60 homens entre 20 e 40 anos sem problemas de disfunção erétil foi investigado o efeito de Sildenafil – princípio ativo do Viagra. Segundo Carmita Abdo, todos tinham relacionamento estável de pelo menos três meses.

Os homens foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 30 indivíduos e dose única de uso em casa foi administrada (placebo e 25 mg de Sildenafil, respectivamente para cada grupo). Aqueles que receberam Sildenafil melhoraram em 40% suas ereções, contra 33% de melhora para o grupo placebo. “Não houve diferença estatística significativa entre os dois resultados, o que sugere forte efeito placebo nesses homens e se constitui num importante dado para a compreensão do êxito do placebo em casos de disfunção erétil psicogênica”, comenta.

Por outro lado, houve redução do período refratário pós-orgástico dos homens que usaram Sildenafil. Esse achado também foi referido por outros pesquisadores, em estudo com 100 mg de Sildenafil versus placebo. “A redução do período refratário, possibilitando que o homem esteja mais rapidamente apto para novo ato sexual, pode ser a razão pela qual a medicação esteja sendo utilizada por homens jovens e sexualmente saudáveis”, explica.

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Como funciona

Comercializado em porções de 25, 50 e 100 miligramas, em caixas de quatro comprimidos, o Viagra tem como princípio ativo o Sildenafil e a patente do remédio é do laboratório Pfizer até o ano de 2013. Devido à forma de ação, o Viagra é considerado uma droga inibidora da enzima 5-fosfodiesterase (PDE-5).

Essa enzima consome o óxido nítrico, que é a substância causadora do relaxamento e conseqüente ereção do músculo do pênis. Em linhas gerais, o que o Viagra faz é, ao inibir a PDE-5, abrir caminho para a ação do óxido nítrico, fazendo com que haja o relaxamento muscular prolongado.

Mas a ereção não acontece indiscriminadamente, ou seja, o paciente que tomar Viagra não vai ficar quatro ou seis horas com o pênis ereto. A ereção só vai acontecer se houver estímulo, seja ele visual, olfativo, etc. Após a ingestão do comprimido, o efeito começa a ser contemplado num tempo de cerca de 30 minutos e pode durar até seis horas.

O Viagra pode gerar alguns efeitos colaterais, como pequena redução de pressão, calor na pele, congestão nasal, dor de cabeça (cefaléia) e visualização de pigmentos azuis nos olhos, que não apresenta risco à vida do paciente. No entanto é importante que o paciente fique atento para sintomas como dor sobre o peito ou braço esquerdo e, caso elas apareçam, procurar imediatamente socorro médico e comunicar ao profissional, sem constrangimento, sobre o uso de Viagra, pois sua vida pode depender desta informação.

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