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Vizinhas e tia defendem amor e dedicação de biólogo pelo filho

Folhapress
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São Paulo - O bebê Gustavo de Oliveira Garcia, de 1 ano e 4 meses, que morreu na semana passada em Guarulhos após ser esquecido no carro pelo pai, foi enterra no Cemitério Vertical Memorial Guarulhos, numa cerimônia marcada por angústia e inconformismo. Sentimentos provocados não apenas pela forma como Gustavo morreu, mas pela lembrança de que o responsável pela tragédia sempre lutou pela vida do menino. Ao lado da mulher, a enfermeira Magna de Oliveira Garcia, o pai, o biólogo Ricardo César Garcia, de 31 anos, desdobrava-se em cuidados com o bebê, que nasceu prematuro de sete meses e teve sua vida marcada por pneumonias e outras doenças.

Iara Azarias Melchior, de 39 anos, vizinha de condomínio na Vila Macedo, em Guarulhos, disse ter testemunhado a luta do casal para ajudar o filho. Segundo ela, Magna afastou-se do trabalho para cuidar do menino, que foi internado várias vezes no hospital, por períodos de até quase um mês. “Eles sempre foram ótimos pais e o cuidado com o bebê era muito grande.”

Por várias vezes na manhã de ontem pessoas gritaram “assassino” diante do condomínio. “Não houve negligência. Foi uma fatalidade”, disse o síndico do prédio, João Valentim Filho, de 52 anos, que classificou Ricardo como uma pessoa íntegra e tranqüila. “O menino mal começava a chorar e ele já corria para confortá-lo.”

Às 7 horas da manhã de quinta-feira, Ricardo levou a mulher ao trabalho, de carro. O bebê estava no banco de trás e seria levado para a casa dos avós, como combinado. Mas o biólogo, após deixar Magna, voltou para a casa e estacionou a céu aberto. Disse ter sentido mal-estar. Só notou que havia esquecido o filho cinco horas depois. Gustavo foi levado para o hospital, mas não resistiu.

O único familiar que aceitou falar com a imprensa foi a tia do bebê, Rosângela Vassolere. Ela defendeu Ricardo. “Peço às pessoas que tenham compaixão por ele. Apontar o dedo não vai levar a nada porque a maior punição veio na quinta-feira. Ele precisa de vibrações positivas.”

Estiveram no enterro cerca de 150 pessoas, quase todas chorando muito. Algumas até passaram mal. Rosângela disse que Ricardo e Magna estavam sedados e, após a cerimônia, iriam receber atendimento médico.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que a Polícia Civil só vai investigar o caso se houver divergência entre o depoimento do pai e o resultado do laudo do Instituto Médico-Legal (IML). O resultado deve sair em um mês.

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