Tribuna do Leitor

Se conselho fosse bom...


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Há uma expressão latina, “mobilitate vigemus”, que expressa a idéia de “no movimento está a nossa força”. Porém, ao que tudo indica, os responsáveis pelos movimentos em nossa nação não estão sabendo interpretá-la e, com isso, ficam desacreditados e sem apoio.

Eu gostaria de questionar o caro leitor sobre alguns aspectos. A nossa legislação dá o direito a reivindicações por parte de trabalhadores, visando melhoria nas condições de trabalho e na qualidade dos serviços prestados, certo?

A nossa Constituição também expressa o conceito de liberdade, desde que não infrinja a liberdade do outro indivíduo, correto? Sendo assim, seriam os movimentos de greve ou similares legítimos, ok?

Bem, vamos refletir um pouco. Caso você seja um trabalhador, gostaria de questioná-lo sobre alguns aspectos: Você está satisfeito com o seu salário? Caso não esteja, quais os meios que você pode utilizar para tentar melhorar essas condições? Reuniões com seu superior? Greve? Motim?

Pois bem! Desde já aproveito para frisar que esse texto não é para defender uma determinada ideologia ou outra, mas sim para refletirmos sobre alguns aspectos. Vivemos em uma economia de mercado denominada capitalismo e, se pensarmos nas perguntas acima, vamos supor que fosse negado o aumento salarial reivindicado, qual seria sua atitude? O ideal e lógico seria, caro leitor, pedir demissão e ir procurar um emprego em outro local, haja vista estar insatisfeito no local onde trabalha, ou manter-se no emprego, executando seu serviço da melhor forma possível e esperada pelos usuários!

Porém, o que observamos corriqueiramente, é o fato de, em virtude de um benefício próprio, quem sempre “paga o pato” é a população, que trabalha e paga seus impostos! Com isso, o que vemos? Filas em aeroportos, indivíduos se agredindo, pessoas perdendo compromissos (só para citar a crise vigente).

Mas poderíamos lembrar também de quando motoristas de ônibus param e deixam milhares de pessoas sem conseguir chegar aos seus empregos. Ou ainda, quando profissionais da área da saúde resolvem parar seus atendimentos e indivíduos que já esperavam algum tempo são obrigados a retornar as suas casas!

Então, o que fica evidente é uma grande falta de compromisso frente à população que, na maioria das vezes, é quem paga os salários dos tais “movimenteiros”. Mas ainda tem um porém... Talvez essas pessoas que realizam estes tipos de movimentos reafirmem: nós não pedimos apenas aumento de salários, nossa lista de reivindicações tem 50 itens! Tudo bem! É um belo papel! Mas o que vemos é, depois de acertadas as condições financeiras, todas as outras exigências ficam para depois!

É, caro leitor, nunca vemos greves ou movimentos onde o povo seja beneficiado. E lanço um desafio: por que ao invés de parar não movimentam realmente, seguindo a expressão latina do começo do texto? Como?! Vamos supor que eu seja um trabalhador na área de transportes e queira reivindicar alguns itens. Ao invés de parar e ficar jogando truco na garagem, vou trafegar com o veículo, mas sem cobrar dos passageiros! Não acha que o apelo seria bem maior?! Mas, se conselho fosse bom... Pense nisso!

Ricardo Henrique Alves da Silva

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