Tribuna do Leitor

Itália e Brasil


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A visita do presidente do Conselho de Ministros da Itália, professor Romano Prodi, ao Brasil é a terceira etapa de um ciclo de encontros promovido pelos representantes dos governos brasileiro e italiano, liderados pelas entidades Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Federação das Indústrias Italianas (Confindustria), os quais tiveram início no ano passado aqui no Brasil, após Roma, depois em Milão, como missão empresarial ocorrida em outubro de 2006, e agora em São Paulo. O objetivo é a aproximação das relações bilaterais, mas não um simples encontro de negócios e sim a tentativa de colocar a estratégia econômica italiana em direção a atual política mundial.

No primeiro encontro, na sede da Fiesp, Prodi anunciou a cooperação para a criação de quatro indústrias de biotecnologia e a parceria com a Petrobras para fabricar etanol na África. Foram assinados acordos com a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de São Paulo, Apex, Banco do Brasil e Banca San Paolo, e outro intitulado “Joint Credit Facilit” que constitui um fundo de investimento para favorecer o desenvolvimento de empresas brasileiras e italianas de pequeno e médio porte.

No segundo evento, na sede da Fundação Getúlio Vargas, Prodi enfatizou o aniversário de 50 anos do nascimento da Comunidade Européia e ressaltou o desejo de uma maior interação entre Mercado Comum Europeu e América Latina, já que a Itália é um dos países europeus que mais apóiam essa união. Na terceira apresentação, no Circolo Italiano, tradicional clube de descendentes italianos em São Paulo, o assunto foi a imigração e em particular a morosidade dos serviços referentes ao pedido de reconhecimento de cidadania italiana “jus sanguinis”.

Recentemente, o governo italiano aprovou um projeto de lei reconhecendo a cidadania “jus soli” (direito pelo solo), a qualquer imigrante com cinco anos de residência legal no país. Isto causa imenso desconforto para os mais de 250.000 requerentes que aguardam, de 10 a 15 anos, pelo deferimento do pedido.

Como podemos analisar, a visita do prof. Prodi vem confirmar um interesse voltado ao Brasil, há muito tempo esquecido pelos governantes italianos anteriores, e isso devido a atuação de algumas pessoas, como por exemplo o senador Edoardo Polastri, eleito pela comunidade italiana, o presidente do Patronato Ital-Uil, Fabio Porta, que recepcionou a comitiva de Prodi, e o secretário do Ministério do Exterior, Donato di Santo, que desenvolve atividades paralelas de interação com toda a América Latina.

Pessoas essas que fazem com que a integração entre Brasil e Itália se fortifiquem ainda mais, além de serem o elo de comunicação para fazer valer nossos interesses e direitos na Itália.

José Henrique C. Battistutta - delegado regional da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de São Paulo - henriquebattistutta@terra.com.br

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