Internacional

Coréia ignora prazo de desativação

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Pyongyang - A Coréia do Norte descumpriu com o prazo de 60 dias dado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para o fechamento de seu reator nuclear de Yongbyon - o primeiro passo para colocar em prática o desarmamento do país - que expirou ontem.

Um pacto fechado em 13 de fevereiro deste ano entre as duas Coréias, a China, o Japão, a Rússia e os Estados Unidos, dava um prazo de 60 dias para o fechamento da usina. Em troca, os países enviariam ajuda econômica e energética à Coréia do Norte.

Os Estados Unidos afirmaram que o não-cumprimento é significativo, mas não é fatal para o acordo. “Estamos preocupados com os 60 dias”, afirmou afirmou o vice-secretário de Estado americano, Christopher Hill, em Pequim.

“Várias medidas deveriam ter sido tomadas (por Pyongyang) e não foram”, acrescentou. Segundo ele, a pedido de seu colega chinês, Wu Dawei, os EUA aguardarão mais alguns dias. “Os chineses querem que tenhamos paciência e esperamos mais um pouco”, disse ele.

A Coréia do Sul minimizou o descumprimento do prazo, dizendo que se trata de uma questão técnica. “O que importa é a vontade política (e se desarmar)”, disse o principal negociador sul-coreano, Chun Yung-woo, dizendo que Pyongyang deve cumprir o compromisso.

A única represália imediata que será sofrida por Pyongyang será a suspensão do envio de 50 mil toneladas de combustível, que seriam dadas em troca do fechamento do reator nuclear.

O carregamento seria a primeira parte do US$ 1 milhão em combustível prometido ao país. Na quarta-feira, o Departamento de Estado americano admitiu que concluir o fechamento de Yongbyon dentro do prazo estipulado não seria tarefa fácil para Pyongyang.

“Eu sei que haverá questões técnicas que podem impedir que isso seja feito com segurança”, afirmou o porta-voz Sean McCormack. “Não há motivo para prolongar a questão agora. Nós (os EUA) não queremos estender a data”, disse.

Anteontem, o governo norte-coreano voltou a exigir a liberação dos US$ 25 milhões congelados no Banco Delta Asia (BDA), em Macau, para iniciar seu desarmamento.

Os EUA afirmaram que autoridades de Macau desbloquearam os fundos, que ficaram congelados durante 19 meses e paralisaram a desnuclearização.

No entanto, uma instituição financeira iria confirmar a informação, de acordo com o Ministério norte-coreano de Relações Exteriores. Na quarta-feira, Pyongyang prometeu fechar Yongbyon 24 horas após ter acesso aos fundos congelados, e disse que permitiria também o retorno dos inspetores da AIEA ao país.

O país expulsou os representantes da agência nuclear da ONU em 2002, logo no início do impasse em torno do programa nuclear norte-coreano. Em 9 de outubro de 2006, após quatro anos de negociações fracassadas, o país realizou seu primeiro teste nuclear.

Comentários

Comentários