A população bauruense vai acordar hoje já preocupada e com uma grande interrogação no ar: quando será que os caminhões de coleta de lixo passarão nas ruas para recolher os resíduos domésticos, comerciais, industriais e hospitalares? Isso porque a prestação desse serviço será seriamente afetado pela greve dos funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), prometida para iniciar hoje e continuar por tempo indeterminado. Por causa da paralisação, a empresa já adiantou não saber quais bairros serão atendidos hoje pela coleta e que essa definição só ocorrerá após o começo da greve.
Os coletores se reúnem hoje, às 7h, na rua Aparecida - nas dependências do setor de coleta - para deflagar a greve. Apesar da legislação que rege as paralisações trabalhistas exigir a permanência mínima de 30% dos empregados em serviços essenciais, como o da coleta de lixo, a greve deverá manter, pelo menos, 50% dos coletores em atividade, conforme acordo estabelecido entre a empresa e o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) em audiência realizada no Ministério Público do Trabalho (MPT) na última sexta-feira.
Apesar do prefeito municipal Tuga Angerami e do presidente da Emdurb, Carlos Alexandre Barbieri, não terem sido encontrados ontem para falar sobre o assunto, Barbieri revelou à reportagem do JC anteontem estar descartada a idéia de terceirização temporária da coleta, mediante a contratação de uma empresa especializada, por falta de recursos. Ele disse que a definição dos bairros a serem atendidos hoje só será feita após o início da paralisação do setor. “Não dá para estabelecermos isso antes, pois é algo que só teremos idéia após a deflagração da greve”, frisou Barbieri.
No entanto, se 50% dos coletores pararem, Barbieri adiantou que a coleta percorrerá apenas 11 - dos 22 - setores atendidos normalmente todos os dias pelo serviço, utilizando dez caminhões - sete pela manhã, um à tarde e três à noite - e mantendo o recolhimento de 100% dos resíduos da área de saúde, como os dos hospitais. “A idéia, nos bairros onde a demanda pela coleta de lixo é maior, é passar duas vezes semanalmente, enquanto nos locais onde ela (a demanda) é menor é passar uma vez por semana”, informou o presidente da Emdurb. O munícipe pode levar o seu lixo ao aterro sanitário, localizado ao lado das penitenciárias 1 e 2.
Barbieri também já prometeu, conforme informou o JC, que até ontem todos os bairros onde o recolhimento do lixo estava atrasada seriam atendidos para que, caso a paralisação seja realmente deflagrada, a coleta chegasse “zerada” hoje. Ele também criticou a greve. “Ela não resolve nada e não era hora de termos uma greve, pois não temos como assumir compromissos nem fazer milagres”, protestou. Ele não quis comentar, ainda, se tomará medidas judiciais contra a paralisação. “Vamos aguardar como a situação vai ficar na segunda-feira para depois avaliarmos o que iremos fazer”, disse.
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Reivindicação
Os funcionários da Emdurb justificam a necessidade da paralisação por se sentirem discriminados com a proposta de reajuste salarial feita pela administração, além de cobrarem melhores condições de trabalho. O governo Tuga Angerami se recusa a repassar o reajuste salarial integral de 6,21% concedido aos demais funcionários alegando que os funcionários da empresa não têm o desconto da Fundação de Previdência (Funprev). Assim, o governo oferece apenas 3,12% de reajuste e os 21,21% sobre o vale-alimentação, que passou para R$ 160,00.
O presidente daEmdurb, Carlos Barbieri, comprometeu-se a não acionar a polícia para desmobilizar o início do movimento grevista, mas fez ressalvas. “Nos comprometemos a fazer isso, mas entenderei qualquer escapadela ou deslize por parte dos grevistas, como o rompimento desse trato”, enfatizou.