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Aposentado empregado pode sacar FGTS

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

As pessoas que, apesar de estarem aposentadas continuam trabalhando, podem resgatar o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) mensalmente. A empresa é obrigada a recolher 8% do salário todos os meses.

O benefício é concedido a todos que obtiveram a aposentadoria em caráter definitivo. É o caso dos trabalhadores que se aposentaram por idade, tempo de serviço ou invalidez.

As pessoas que estão afastadas das atividades profissionais provisoriamente, como aquelas com problemas de saúde que recebem auxílio-doença do Intituto Nacional do Seguro Social (INSS), não têm direito ao fundo.

O gerente-geral da Agência Bauru da Caixa Econômica Federal (CEF), Nelson Antonio Calsavara, ressalta que o dinheiro pode ser retirado em qualquer unidade do banco. Ele lembra que o beneficiário precisa apresentar a certidão de aposentadoria, um documento de identificação, como a carteira de identidade ou de motorista, além da carteira de trabalho com o cartão do Programa de Integração Social (PIS).

“Se a pessoa preferir, o saldo pode ser depositado em conta. Basta ele solicitar à Caixa o depósito direto para os próximos meses”, orienta Calsavara.

A liberação mensal do FGTS entrou em vigor no último dia 29 de março. A CEF ainda não tem o número de aposentados que poderão ser beneficiados com a medida em Bauru e região.

Para Olímpio José de Moraes, advogado da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, a permissão do resgate do FGTS beneficiará, principalmente, os aposentados que têm a necessidade de uma renda maior. “Quase 100% dos aposentados não têm condições de sobreviver só com o dinheiro da aposentadoria. Falta recurso, principalmente, para a compra de medicamentos. Por isso, acho que esses 8% de FGTS devem ajudar muita gente”, comenta.

A mesma opinião é compartilhada por Wilson Therezan, da subsede do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindinapi) de Bauru. Ele diz que a maioria dos associados à entidade, embora já aposentados, precisa continuar trabalhando. “Muitos são os principais mantenedores da casa. É o aposentado que garante o sustento da família”, destaca.

Therezan, no entanto, avalia que apesar do benefício estender a renda dessas pessoas, acaba evitando que elas reservem dinheiro para o futuro. “O ideal, na verdade, seria que o valor do benefício da aposentadoria fosse reajustado a um patamar suficiente para uma sobrevivência digna do aposentado. É um absurdo essas pessoas, que trabalharam uma vida inteira terem de continuar na ativa para conseguir sobreviver”, enfatiza.

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Aplicação em poupança

A bancária Maria Rita de Luna Irácio, 53 anos, se aposentou em dezembro do ano passado, mas ainda continua trabalhando.

Assim como milhares de outros brasileiros, ela terá a oportunidade de sacar, todos os meses, o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), medida que foi concedida pelo governo em março deste ano.

Precavida, a bancária pretende guardar o dinheiro para um eventual momento de necessidade. “O dinheiro do FGTS tem um rendimento de 3% ao ano, sendo que na poupança ele renderá 6% no mesmo período. Por isso, acho interessante retirar todos os meses para aplicar nesse fundo. Por enquanto, não quero mexer nesse valor porque, quando eu precisar, posso contar ele”. Irácio tem planos de continuar na ativa por mais dois anos, tempo que avalia suficiente para se acostumar com a idéia de deixar de trabalhar.

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