Ao invés do desperdício, aproveitamento e solidariedade. Através do trabalho conjunto entre a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru, produtores que utilizam o espaço do órgão para comercializar hortifrúti e oito entidades assistenciais de Bauru, cerca de 18 mil pessoas carentes recebem mensalmente, em média, 30 mil quilos de alimentos.
É o Banco de Alimentos, que funciona de forma simples, mas depende da boa vontade de cada um dos envolvidos. Diariamente, funcionários da Ceagesp visitam os boxes dos seus permissionários coletando doações de produtos fora do padrão de comercialização. Após isso, eles são estocados num galpão chamado Banco de Alimentos, onde as oito entidades cadastradas na companhia retiram as frutas, verduras e legumes e distribuem para famílias de diversos bairros da cidade.
Somente em março, 28.929,60 quilos de produtos desviaram do caminho que levava ao lixo e foram parar nas mesas de pessoas carentes. O pastor Isac Rodrigues, da 5.ª Igreja Presbiteriana Renovada, que é uma das entidades parceiras da Ceagesp, coordenou a distribuição de quase 3 toneladas de alimento para 450 famílias do Parque Jaraguá em março e calcula que, em média, cada uma delas é composta por quatro pessoas. Com isso, é possível estimar que, ao todo, o número de beneficiados por todas a as entidades que trabalham em conjunto com a Ceagesp possa atingir cerca de 20 mil pessoas.
A Ceagesp não possui estimativa atualizada do número de pessoas atendidas pelas entidades assistenciais. No entanto, em dezembro do ano passado, 4.500 pessoas receberam doação de feijão pelas entidades parceiras. Isso sem contar aquelas que formam o projeto Mesa-Brasil, do Sesc, que distribuiu em março quase 8 toneladas de alimentos.
Segundo o gerente operacional do Ceagesp de Bauru, Antonio Carlos Sanchez Ragonezi, esse trabalho de parceria é desenvolvido há vários anos pelo órgão, em todo o Estado. “São produtos que não possuem valor de comercialização, mas estão ótimos para o consumo. Isso tudo seria desperdiçado, pois supermercados não se interessam por alimentos machucados ou com aspecto ruim”, afirma. “O brasileiro aprendeu a comer com os olhos e ainda não aprendeu que aquela fruta mais vistosa muitas vezes não tem o mesmo sabor daquela ao lado, que chama menos atenção”, completa.
O trabalho mediado pela Ceagesp é tão difundido que existe até mesmo fila de espera para que entidades possam também participar da distribuição de alimentos. “Hoje temos oito cadastrados, mais o programa Mesa-Brasil, que fornece produtos a outras 26 entidades. Constantemente, recebemos o contato de instituições interessadas em participar. No entanto hoje trabalhamos no nosso limite, apenas fazemos o encaixe daqueles que estão na fila de espera quando constatamos que algum parceiro deixa de retirar os alimentos três vezes seguidas”, explica.