Economia & Negócios

Dólar movimenta economia interna

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

O mercado interno de produtos e serviços internacionais está vivendo um momento de grande prosperidade com a queda acentuada do dólar, que chegou a ser comercializado a R$ 2,025 na semana passada - menor valor desde março de 2001. Os reflexos dessa oscilação cambial têm privilegiado as casas especializadas em gêneros alimentícios importados, operadoras de turismo e o público consumidor, que é beneficiado pelo aumento da competitividade da economia interna.

A expectativa é de que os resultados melhorem ainda mais dentro dos próximos meses. Em Bauru, uma agência de viagens vem contabilizando, há cerca de um ano e meio, aumento na procura por pacotes turísticos para o Exterior. E os Estados Unidos, segundo o gerente e proprietário Hugo Pinheiro Machado Neto, estão entre as principais rotas.

“Com o dólar baixo do jeito que está, as pessoas estão muito incentivadas a viajar para fora do Brasil. O desembolso em reais na troca da moeda tem ficado bem menor”, comenta.

Pinheiro acredita que a situação deve ficar ainda mais confortável nos próximos meses, quando o consumidor deverá sentir mais os efeitos da oscilação cambial. “Isso não ocorre de uma hora para a outra”, completa.

A expectativa é de que o brasileiro una o útil ao agradável daqui para frente. Helton Gasparini, supervisor de uma casa de câmbio em Bauru, diz que o movimento na empresa tem se mantido estável até então. Porém, ele espera que a venda de dólar cresça a partir do final de maio, mês em que as operadoras de turismo começam a vender mais pacotes para as férias de julho.

“Nesse período, estamos esperando crescimento de até 30% na comercialização de dólar. Metade desse percentual acredito que será incentivado pela queda do valor da moeda”, ressalta o supervisor.

O consumo de produtos estrangeiros tem apresentado o mesmo ritmo dos pacotes turísticos em Bauru. Numa casa especializada em artigos importados e nacionais, o sócio-proprietário Carlos Prando comemora aumento de 20% nas vendas. “É reflexo da constância do preço do dólar, que vem ocorrendo há um bom tempo. Não houve uma oscilação, como se registrava antigamente, quando subia e baixava”, avalia.

Segundo Prando, entre os produtos mais beneficiados e vendidos com a queda do dólar estão os vinhos, uísques e perfumes. Um vinho que custava R$ 13,90 até o ano passado, passou a ser comercializado a R$ 10,90. Segundo o empresário, o preço é equiparado ao valor de venda dos vinhos nacionais.

Ele acredita que se o repasse da queda mais recente acontecer, o consumidor sentirá os reflexos no bolso dentro de até 60 dias. Segundo Prando, os segmentos de veículos, alimentos, bebidas e perfumarias seriam os mais beneficiados.

Na opinião do empresário Carlos Prando, a baixa mais recente do dólar só terá um impacto positivo no varejo de importados se o índice for mantido. “Se daqui a algumas semanas o preço se recuperar, o consumidor não sentirá diferença nenhuma”, coloca.

Outro ponto questionado pelo empresário é o repasse da queda para o mercado comprador.

“Vai depender da gestão de cada importador, porque será ele quem repassará ou não a baixa do dólar. Na minha opinião, alguns deles repassarão, outros vão acreditar que o preço será recuperado e, para se precaver, optarão por não mexer na tabela de preços”, constata o empresário.

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Viagem programada

O preço baixo do dólar motivou a professora Jurema Melo de Siqueira a programar uma visita para a filha, que mora nos Estados Unidos. Segundo ela, o embarque deve ocorrer dentro dos próximos 90 dias.

“É um incentivo muito grande, porque o custo do câmbio fica bem menor. Além disso, dá até para pensar em esticar as compras”, comenta. Siqueira espera voltar com a mala cheia, inclusive de perfumes e roupas. “Com o dólar nesse patamar, a gente tem que aproveitar”, finaliza.

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Prós e contras

Dólar baixo significa maior incentivo às importações e um cenário pouco propício às exportações. Em resumo, os produtos importados ficam mais baratos, porém, as mercadorias nacionais menos rentáveis para serem exportadas.

“Isso pode provocar um desequilíbrio no balanço do pagamento, ou seja, na conta corrente do País, pois o saldo da conta corrente é reflexo, principalmente, do saldo da balança comercial”, explica o economista e consultor financeiro Adriano Fabri.

Além disso, o especialista aponta que o índice, no patamar que se encontra hoje, além de fazer com que os produtos nacionais percam espaço no mercado interno, também pode gerar desemprego.

Mas segundo ele, a situação também tem suas vantagens. Com o dólar em baixa, os preços praticados internamente no País ficam estabilizados, incentivando a competitividade.

“Além de segurar os preços, força as empresas nacionais a desenvolverem tecnologia e qualidade mundial para poder competir internamente”, acrescenta.

O economista ressalta que essa tendência favorece a modernização da tecnologia empregada no País. “A compra de máquinas e equipamentos importados fica mais acessível, sendo a grande chance de ampliação das empresas”, conclui.

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