Parte dos alunos da escola estadual Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, trocou ontem pela manhã a caneta pela bucha. Eles foram “convocados” para um mutirão de limpeza, que teria resultado em novos atos de vandalismo. A diretoria da escola nega a ocorrência de destruição durante a iniciativa.
Embora o objetivo tenha sido o de conscientizar os estudantes para a importância da preservação do prédio, muitos deles mostravam-se revoltados com a situação de abandono das instalações, que teria sido piorada ontem. À reportagem, vários estudantes relataram que alunos aproveitaram a oportunidade para depredar ainda mais o prédio.
Até um portão teria sido destruído, segundo as crianças entrevistadas. Mas segundo a diretoria, a versão não procede. O portão já estaria com problemas, por essa razão foi ao chão, mas sem ferir ninguém. É consenso, porém, que os matriculados na 7ª e 8ª séries do ensino fundamental e 1º ano do ensino médio “colocaram a mão na massa” para limpar as salas de aula e livrá-las, minimamente, de tantas pichações.
Molhados, muitos deles foram dispensados. Outros, em grande quantidade, saltavam os muros da escola para deixar as salas de aula. Apenas os alunos de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental tiveram aula normalmente. “Está tudo muito ruim. Os banheiros não são limpos, não tem papel higiênico, nem dá para lavar a mão dentro do banheiro”, conta o estudante Giovane Alves Sobral, cuja avaliação é respaldada pela avó.
Precariedade
Giovane e colegas ainda contam que o odor dentro dos sanitários é insuportável e que a descarga não funciona. Quando acionada, espirraria água pelo encanamento. Há relatos de que até uma cabeça de porco foi lançada numa sala de aula. A ação é atribuída aos próprios alunos e a pessoas de fora.
“Não tem vigilância ou punição”, comenta um professor, cujo nome não será divulgado para preservá-lo. A onda de destruições é confirmada pela vice-diretora Dirce Maria Rodrigues Ferraz. Por essa razão, a campanha foi desencadeada. “É para que eles possam conservar. Aqui, vão estudar seus filhos e netos. Se continuarem destruindo, não vai sobrar nada”, informa.
Ela nega que a situação dos banheiros, por exemplo, seja tão precária. Dirce, no entanto, não autorizou a entrada da reportagem para que as condições pudessem ser confirmadas. Por conta da situação, Ruth Alves de Souza, mãe de três alunos da instituição, confia na versão dos filhos.
“Tem que ter policial na escola. Os alunos não obedecem, os professores não respeitam, é uma bagunça”, conclui Amara Viana Sobral, avó de Giovane.
Ronda normal
Segundo o tenente Samuel Gomes Pereira, comandante da Base Noroeste da Polícia Militar (PM), responsável pelo policiamento na região do Parque Jaraguá, a ronda da escola Ayrton Busch é privilegiada.
“A guranição sai com seu cartão de prioridade de patrulhamento, indicando os horários em que deve estar em cada endereço. Essa é uma escola problemática e a ronda é feita de manhã, de tarde e à noite, durante a entrada ou a saída. Isso sem contar os chamados esporádicos que ocorrem quase diariamente”, explica.
O tenente aponta dois motivos para os constantes problemas de depredação na escola. “O muro é muito baixo e o portão da quadra de esportes fica aberto. Isso facilita a invasão”, afirma.
A reportagem entrou em contato com a dirigente regional de ensino, Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, durante toda a tarde e até o fechamento da edição, mas não conseguiu localizá-la.