São Paulo - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) intensificou os protestos ontem e realizou manifestações em oito Estados e no Distrito Federal. As ações fazem parte do chamado “abril vermelho” e têm como objetivo cobrar do governo federal a reforma agrária para assentar 150 mil famílias acampadas pelo País.
As manifestações também acontecem em memória dos 19 trabalhadores rurais mortos em Eldorado de Carajás (PA) em 17 de abril de 1996. “Queremos apresentar por meio das nossas ações uma proposta de desenvolvimento para o campo brasileiro, que tenha como eixo a geração de emprego e a produção de alimentos no sentido de resolvermos os problemas do povo brasileiro”, disse José Batista de Oliveira, da direção nacional do MST, em nota à imprensa.
Segundo o MST, foram realizadas manifestações ontem em São Paulo, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Piauí, Rio Grande do Sul, Pará, Santa Catarina, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba e Rio de Janeiro, além do Distrito Federalm, onde a sede do Incra foi invadida por militantes.
Segundo o balanço das ações divulgado pelo MST, os sem-terra ocuparam ontem pela manhã a ponte sobre o rio Tocantins, no município de Estreito, no Maranhão, em protesto contra a instalação da Usina Hidrelétrica de Estreito. Em Santa Catarina, cerca de 500 famílias do ligadas ao MST deixaram ontem um terreno de 10,5 mil hectares que pertence ao Exército.
Em Pernambuco, mais de 200 famílias de trabalhadores rurais ocuparam ontem a Fazenda Rafael, de 2 mil hectares, no município de Ibimirim. Outras 200 famílias sem-terra ocuparam a Fazenda Cajueiro Escuro. Em Goiás, mais de 600 famílias do MST invadiram três fazendas consideradas improdutivas pelos sem-terra. No Espírito Santo, os sem-terra ocuparam uma área próxima à Fazenda do Galho, de 500 hectares, no município de Guaçuí.
Em Cuiabá (MT), o MST realizou uma vigília com 200 pessoas em frente ao prédio da Justiça Federal em protesto contra a morte de 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás (PA). No Rio de Janeiro, o MST manteve duas áreas ocupadas como forma de denunciar a lentidão da reforma agrária e pedir o assentamento imediato das 1.200 famílias acampadas no Estado.
No Rio Grande do Sul, o MST deixou ontem pela manhã a Granja Nenê, área que ocupava no município de Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto Alegre. As cerca de 700 pessoas que estavam no local estão acampadas em uma área cedida pelo assentamento Santa Rita de Cássia, que fica ao lado da granja. No Pará, integrantes do MST e de outros movimentos da Via Campesina estão acampados em Belém em defesa da preservação da Amazônia e contra o agronegócio.