Tribuna do Leitor

Inúmeras mudanças, ínfimos progressos


| Tempo de leitura: 2 min

A partir do século XVIII, o homem modificou sua visão de mundo. A Terra e os fenômenos naturais eram observados e exemplicados na Antigüidade, por elementos mitológicos e supersticiosos. O “século das luzes”, XVIII, teve como função romper o teocentrismo e a justificação da fé para todos os acontecimentos sociais, políticos, culturais e econômicos da época. O Iluminismo, muito bem representado pelos filósofos e estudiosos da época como Rousseau, Montesquieu, Bacon, se baseava na razão. Foram eles os precursores da Revolução científica do mundo. Outro fator importantíssimo de profunda transformação foi o período conhecido como primeira Revolução Industrial. Ele foi o responsável por mudanças nas relações de trabalho, de produção e da utilização do conhecimento técnico. O mundo sempre esteve em constantes tranformações. O aspecto maléfico dessa mudanças é que na maioria das vezes, elas não representam um progresso social. O grande quívoco do homem foi confundir “ mudança” com “progresso”.

O nível de desenvolvimento tecnológico a que chegamos, indubitavelmente, representa uma evolução. Podemos dominar a tecnologia nuclear, robótica, a nanotecnologia, a astronomia, a bioengenharia. Gradativamente, novas descobertas são feitas, porém mesmo sendo grandes, não necessariamente definem o progresso. Na maioria, elas são acompanhadas de pelo menos um prejuízo ou problema para o planeta e a humanidade.

Fato comprovante é a descoberta do petróleo que trouxe seu consumo exacerbado e por conseguinte impactos ambientais. O desenvolvimento de recursos nucleares para se implantar mais uma fonte de energia, a energia nuclear, foi utilizado de forma perversa e capitalista para criação de bombas atômicas e o detonador para a destruição do próprio inventor: o homem. Apesar desses fatos negativos, não se pode negar o desenvolvimento. A questão é encarar a evolução como um processo de amplos caminhos, sem clímax, apenas com modificações marcantes.

É essencial uma postura crítica diante ao processo mutante que viveu e vive o mundo. Só existirá progresso nas mudanças quando a maioria das pessoas desfrutar de forma benéfica delas. Enquanto isso, podemos dizer que foram raras as experiências de progresso para a humanidade dentre inúmeras mudanças que já enfrentamos.

Mayara Trindade Borges

Comentários

Comentários