Amigos e familiares se despediram ontem da bauruense Julieta Petit da Silva, que morreu anteontem de derrame cerebral, em Presidente Prudente, aos 86 anos de idade. Julieta era mãe de Maria Lúcia Petit da Silva, Jaime Petit da Silva e Lúcio Petit da Silva, que morreram na chamada “Guerrilha do Araguaia”. O corpo foi velado ontem no Velório São Vicente e sepultado à tarde no Cemitério do Jardim do Ipê.
Clóvis Petit, também filho de Julieta, ressaltou que a mãe soube administrar com bravura o sofrimento pela perda dos outros filhos. “Ela o fez isso sem perder a vontade e o prazer de viver. Ela gostava muito de passear e se divertir”, disse.
Já o vereador Marcelo Borges (PSDB), que compareceu ao velório de Julieta, lamentou o fato da bauruense ter morrido sem saber o destino dos filhos mortos na guerrilha. “É um sentimento difícil só conseguir enterrar um deles e não saber onde estão outros dois”, frisou.
Outro que elogiou o comportamento em vida de Julieta foi o sindicalista Roque Ferreira, presidente do Sindicato dos Ferroviários de Bauru. “Ela foi um exemplo de coragem e perseverança e nunca perdeu a esperança de encontrar os filhos. Mas também é difícil em um momento como este não executar uma cobrança política do drama que centenas de famílias brasileiras como a de Julieta ainda vivenciam no País”, enfatizou Ferreira, que criticou o governo Lula:
“O presidente da República tem a obrigação moral de abrir os arquivos da ditadura e da guerrilha do Araguaia. A sociedade brasileira precisa e tem o direito de saber o que realmente ocorreu durante a verdadeira barbárie que o Estado promoveu durante o período ditatorial.”
Julieta Petit da Silva também foi uma das autoras da ação que motivou a quebra do sigilo das informações militares e que pode obrigar a União localizar os restos mortais dos desaparecidos.