No início do mês de fevereiro, em Avaí, marcamos uma pescaria de “corvina”, visto que era o período de Piracema e na região da pescaria, Ribeirão Doce com Tietê, só podiam ser pescados a corvina e o tucunaré, em virtude de que os mesmos não eram nativos da região.
Após reunirmos o pessoal, eu, Preto, Mala, Zé Belizário, Haroldo, Nezão, Ferrugem, Ninka e o Birruga, partimos para a pescaria a bordo de três carros. Ao chegar ao local, no Rancho do Preto, isso já de tardezinha, resolvemos só pescar na manhã seguinte, quando aproveitamos para arrumar a traia e preparar aquele gostoso churrasco de beira de rio. De manhã, dividimos o pessoal em três barcos e saímos para a pescaria, sendo que no meu foi o Zé Belizário e o Birruga.
Aportamos em vários locais e nada de corvina. Já estava entardecendo e os companheiros irritados e loucos para irem embora, inclusive o Birruga, já “chapado”, pois tinha tomado uma garrafa de Jurubeba, dava seu “show” particular. Foi nesse momento que parou junto ao nosso barco um outro com uma pessoa, a qual nos cumprimentou e perguntou ao Birruga: - O senhor pescou alguma coisa?
- Peguei duas piaparas, dois dourados e um pintado.
- O senhor sabe com quem está falando?, perguntou o senhor.
- Não!
- O senhor está falando com o fiscal do Ibama!
- E o senhor sabe com quem está falando também?, retrucou o Birruga em tom carrancudo.
O fiscal, com ar de preocupação e meio atônito, parou para pensar, talvez estivesse diante de uma autoridade, e respondeu: - Não, não sei!
- O senhor está falando com o maior mentiroso da região!
Foi um silêncio total, ocasião em que o fiscal, com um “sorriso amarelo”, despediu-se de nós e foi-se embora. Enquanto nós voltamos para o rancho sem sequer ter pescado uma só corvina.
Sérgio Andrade Moreira é pescador e contador de histórias.