Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou anteontem o bloqueio de bens e contas bancárias de investigados no caso Hurricane (furacão em inglês). A medida havia sido requisitada pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. O número dos atingidos não foi divulgado, nem o teor da decisão. Só se sabe que deve superar os 25 detidos. Acusados e seus familiares, como o desembargador Carreira Alvim, estão na mira da investigação.
Antônio Fernando disse que poderá pedir a quebra do sigilo bancário das pessoas investigadas e a decretação da prisão preventiva dos 25 que já estão detidos, já que o prazo da prisão temporária acaba no domingo. Ele afirmou que não descarta solicitar, em momento posterior, a tomada do depoimento do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina, um dos juízes suspeitos de atuar em organização criminosa que comercializava sentenças judiciais em favor de bicheiros e bingueiros. Antônio Fernando explicou, entretanto, que achou desnecessário incluí-lo no pedido de prisão temporária e nas buscas e apreensões de documentos, na semana passada.
Alvo de quebra de sigilo telefônico, Medina teve inúmeras conversas por celular gravadas pela Polícia Federal (PF), segundo seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro. A medida foi sugerida por Antônio Fernando e ordenada por Peluso. Para Almeida Castro, os diálogos não incriminam o seu cliente e comprovam sua inocência.
O irmão dele e advogado Virgílio Medina está entre os presos e também teve conversas telefônicas gravadas, em que aparentemente negociava decisões do ministro. Além disso, uma liminar do ministro do STJ, de agosto de 2006, liberando máquinas caça-níqueis no Rio, está sob suspeita. Antônio Fernando disse que não há outros ministros do STJ envolvidos. “Nessa investigação, com certeza, não.”
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Polícia deve retomar investigações
Brasília - O grupo de 20 policias federais responsáveis pelas investigações sobre a máfia de jogos - desvendada pela Operação Hurricane na sexta-feira passada - não deve aderir totalmente à paralisação de 24 horas deflagrada ontem pela categoria.
O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Sandro Torres Avelar, disse que pelo menos oito policias devem retornar ao trabalho na tarde de ontem.
Avelar disse que esses policiais já tinham agendado a tomada de depoimentos para a tarde de ontem e consideraram que não seria bom para as investigações paralisarem suas atividades. Ele negou que esse grupo esteja furando a paralisação. “Não é que eles vão furar a greve. Significa que a PF tem responsabilidade de não deixar as investigações pararem. É uma situação especial. Eles alertaram que já tinham depoimentos agendados”, afirmou Avelar.