Tribuna do Leitor

Mulheres anônimas


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Milésimo gol ou gol mil. É o assunto do momento. É o gol tão ansiosamente esperado e que não acontece. Festejos mil serão realizados quando esse gol sair.

Ótimo! Maravilha! Não só pelo jogador a ser festejado, mas também pelo povo brasileiro, tão sedento de festas, de comemorações.

Mas... alguém já ouviu falar de comemorações pelo milésimo parto feito por uma médica ou parteira?

Alguém já comemorou o milésimo almoço preparado pela esposa? O milésimo banho dado por u’a mãe ou babá, numa criança? A milésima camisa passada por uma serviçal? A milésima vez que u’a mãe deu seu peito ao filho para alimentá-lo? Quantos outros mil feitos, praticados por mulheres anônimas poderia citar, mas faltam espaço e papel para tanto. E para que festejá-los?

São coisas banais, triviais, do dia-a-dia, praticadas por mulheres anônimas, que quase nunca são percebidas, mas que existem e são essas mulheres anônimas a mola propulsora que faz o mundo caminhar e que nunca ou quase nunca recebem sequer um “muito obrigado”. Isso é próprio do ser humano, sempre pede, recebe e nunca se lembra de agradecer. Senhor jogador, quando seu gol mil acontecer, ajoelhe-se, ore e agradeça a u’a mulher anônima que tantos mil tudo, fez por você. Sua mãe, ela merece.

Maria Helena Pinho de Assis - RG 3.009.022-2

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