Tribuna do Leitor

Ferrovias x cidades


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Lemos dias atrás, no Jornal da Cidade, na coluna do eleitor algumas pessoas colocando a ferrovia como empecilho para o crescimento e melhoramento da cidade, e que em seu lugar bom seria uma avenida. Digo aos nossos conterrâneos, pois sou bauruense, filho de ferroviário e também tornei-me um, e aprendi muito sobre ferrovias, nestes 33 anos que lá trabalhei. Hoje na França o trem desenvolve uma velocidade de 574 km/h, no Japão 300 km/h, nos Estados Unidos mais de 220 km/h , onde se dá prioridade para o transporte ferroviário.

Saibam os senhores que em 1969 a ex-Companhia Pta de Estrada de Ferro em alguns trechos como de Bauru a Pederneiras, os trens de passageiros com 10 (dez) carros e cerca de 700 pessoas, desenvolvia uma velocidade de 120 km/h, com 18(dezoito) paradas até São Paulo, fazia em 6 horas e os trens de cargas de Bauru a Santos em 14 horas.

A ferrovia tinha o maior parque florestal do Estado, e podia ter usado este potencial para financiar e reparar o que seria necessário. Mas os políticos na década de 70 , acabaram com a ferrovia, pois colocaram seus apadrinhados saturando a folha de pagamento da empresa, não dando crédito para quem realmente executava os serviços, sendo alguns até demitidos.

Recordam quando a oficina da Noroeste, perto do centro e a da Paulista, no JD. Guadalajara, mantinham juntas cerca de quase 4.000 pessoas trabalhando nas suas 24 horas de operação, onde mecânicos, eletricistas, maquinistas, truqueiros, chefes de trens, chefes de estação, despachadores, portadores manobradores, estafetas e tantos outros operários que foram admitidos como aprendizes na Escola Ferroviária, subindo aos cargos gradativamente. Ferroviário não tinha horário fixo de serviço, isso dificultava estudar, mas sabemos de vários engenheiros, médicos, advogados , que se formaram, graças ao esforço de seus pais ferroviários.

Bairros como as Vilas Falcão, Monlevade, Santa Luzia, Pres.Dutra, Quaggio, Bela Vista, Guadalajara foram formadas por ferroviários e seus familiares.Mas a ferrovia trouxe benefícios por onde passou, formando grandes cidades no nosso estado, e Bauru foi uma das mais importantes, pois teve o maior entroncamento ferroviário da América Latina, onde três ferrovias faziam intercâmbios - E. F. Noroeste do Brasil, Cia Paulista de Estrada de Ferro e E. F. Sorocabana.

Com a decadência da ferrovia, varias firmas deixaram Bauru, como a Dias Martins, Matarazzo, Anderson Clayton, Julio Meca, Sanbra, enfim aquelas que dependiam do transporte ferroviário. As cidades não se adequaram ao processo ferroviário futurista, senão vejamos. Bauru construiu um viaduto que não leva a lugar algum, apenas pula as linhas férreas. Se tivessem construído uma via expressa dando prolongamento da Nuno de Assis, paralelas ao Córrego da Grama , até a av. Waldemar G. Ferreira, as vilas Falcão, Quaggio, Industrial, Dutra, Prudência, Vânia Maria e todo alto da Nova Esperança seriam beneficiadas. Não há interesse do poder público.

Ao lado da ex-Sanbra havia uma linha férrea que ligava Bauru a Piratininga e foi demolida. Sabe-se que hoje, após quase 30 anos, só tem mato. E por que não se contruíu uma avenida? Mas não há interesse do poder público neste setor da cidade. Então, até que os governos Estadual e Federal tomem as decisões, o melhor é se adequar aos problemas da cidade com as ferrovias.

Entre o Jardim Rosa Branca e o Jardim Prudência corre um riacho. As casas da rua José Portela Cunha estão a menos de 20 ms do riacho. Foi pedido à prefeitura, através da Semma e Sear que se fizesse uma calçada à beira do riacho para os idosos caminharem nos dois quarteirões entre a avenida Pinheiro Machado e linha da Fepasa. Resposta: não, o riacho tem de ter 15m de área livre a cada margem, mas não é possível por isso temos de nos adequar aos problemas. Mas em volta do Aeroporto foi possível, lá se adequa a qualquer pedido .

Faz quase 30 anos que as águas das chuvas empossam sob o viaduto Fepasa nas Nações Unidas. Seria difícil deslocar os ônibus e caminhões-baú acima da altura desejada para a rua Araújo Leite ou as entradas para a Rodoviária através da rodovia Marechal Rondon pelo trevo da Sta Luzia? E então subirem o piso da pista das Nações Unidas sob o viaduto da Fepasa e as águas passariam direto para o Rio Bauru. Ou não?

É um modo de se adequar ao problema até que ele seja solucionado. Mas será que nossos políticos gostariam? Então o nosso poder público necessita de se reciclar, os vereadores precisam caminhar um pouco pelas periferias e não olhar só para os Altos da Cidade. Assim poderíamos citar vários casos com soluções rápidas e de baixo custos ao invés de se criarem faraônicas obras. Olhem para o povo que os elegeram. Voltem-se um pouco para o seu lugar de origem.

Elcio José Machado

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