Cultura

Ar-condicionado do teatro pára de novo

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Não fumem, desliguem os aparelhos e, em qualquer emergência, a máscara de oxigênio cairá imediatamente...”. A frase é típica de uma comissária de bordo, mas poderia ser incorporada à fala que abre as apresentações do Teatro Municipal de Bauru, onde a corriqueira falha no ar-condicionado deixa o ambiente claustrofóbico, “praticamente uma estufa”, como bem descreve a assistente da Chiquito Produções, Cíntia Bughi.

Sorte das pessoas calorentas. As outras devem providenciar leques caso desejem assistir à peça “As Mentiras Que os Homens Contam” apresentada neste final de semana no teatro, pois é muito provável que o aparelho, quebrado desde a segunda-feira passada, continue em manutenção. “Doze pessoas já desistiram dos ingressos por conta desse problema”, lamenta Bughi, uma das responsáveis por trazer a peça à cidade. Para compensar, a assistente solicitou ventiladores grandes à mantenedora do espaço, a Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

E não é a primeira vez que isso acontece. Segundo Bughi, quando Francisco Cuoco encenou o espetáculo “O Último Bolero”, em março deste ano, o calor era tanto que foi preciso apagar as luzes do hall e abrir as portas e cortinas. “Isso comprometeu a apresentação, porque atrapalhou a acústica”, explica Bughi.

Cuoco chegou, inclusive, a perguntar à platéia se era desejo de todos seguir com a apresentação, tamanho o desconforto gerado. Há quem afirme que o ator até foi reembolsado da quantia (12% da bilheteria arrecadada) paga pelo aluguel do teatro, informação não confirmada pela assistente. “Acho que isso aconteceu, mas não tenho certeza”, disse.

Érika Dios, da EL Teatro Produções, não consegue enumerar as vezes em que se deparou com o ar-condicionado quebrado. “Trabalho com teatro em Bauru desde 2003 e isso sempre ocorreu, mas não com a freqüência de agora”, diz. Por conta do desconforto causado no público e nos atores, a produtora quase cancelou a apresentação de “Monólogos da Vagina”, em março deste ano. “Avisei que a peça seria cancelada, sorte que eles arrumaram o aparelho no dia da apresentação”, lembra.

Para ela, esse tipo de ocorrência denigre a imagem de Bauru. “As companhias imaginam que vão encontrar um teatro minimamente estruturado, afinal elas estão pagando 12% da bilheteria bruta para ter condições de trabalhar”, desabafa.

Problema antigo

Entra e sai administração e o ar-condicionado vai sobrevivendo cada vez mais capenga. Sem nunca ter sofrido uma manutenção mensal eficiente desde a inauguração do teatro em 2000 - como afirma o diretor do Departamento de Ação Cultural da SMC, Sivaldo Camargo – o aparelho agora agoniza, pede socorro. Mas o tratamento vai custar caro. “Cerca de R$ 80 mil”, calcula o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre.

A quantia extrapola os R$ 47 mil acumulados no ano passado pelo Fundo Especial de Promoção de Atividades Culturais (Fepac) - alimentado com os 12% da bilheteria bruta do teatro e com as multas arrecadadas nas bibliotecas - e destinado exclusivamente a melhorias do teatro. O dinheiro, segundo o secretário, foi utilizado para a compra de lâmpadas e outros equipamentos de iluminação, pernas da cochia e pequenos materiais.

Para o conserto definitivo do ar-condicionado, seria preciso a abertura de uma licitação, algo em estudo pela administração. Enquanto isso, ele segue em manutenção provisória, “a segunda deste ano”, contabiliza Camargo. Quebrado desde o último dia 2, não há previsão de quando o equipamento ficará pronto. “Eu pedi para que os serviço fosse finalizado até sexta-feira, mas não obtive garantia”, diz Camargo.

O conserto, de acordo com ele, não é simples, mas ainda foge do idealizado pelo secretário. “Não tem mais como remediar. Antes de assumirmos, os reparos eram feitos tirando uma peça daqui e colocando em outro lugar. Agora não. Vamos encomendar peças e descontaminar o sistema, porque o compressor explodiu e jogou uma foligem por toda a tubulação”, explica Camargo.

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