Polícia

Exumação não constata indícios de agressão antes da morte de mecânico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A suspeita de que o mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, foi agredido antes de ser morto com um tiro na cabeça disparado pela Polícia Militar, há duas semanas, não foi confirmada por meio da exumação realizada ontem. A possibilidade foi aventada pela família do rapaz, que notou escoriações na sua face e hematomas na altura do peito, na ocasião do velório.

A partir das constatações, o delegado do 2.º Distrito Policial, Marcos Cremonesi, solicitou ao Instituto Médico Legal (IML) que o corpo fosse desenterrado a fim de que as dúvidas fossem dirimidas. “Não havia outra lesão além do tiro”, informa o diretor do IML, Ivan Segura. De acordo com ele, o corpo do mecânico ainda estava bastante preservado, ontem.

Além disso, se existissem, eventuais escoriações constariam no laudo necroscópico realizado na data do óbito, informa Segura. Na época, a avaliação do corpo de Jorge Luiz Lourenço foi feito pelo médico legista Alberto Briani, ontem responsável pela exumação.

Acompanhamento

O trabalho de Briani foi acompanhado por representantes da PM, da Polícia Civil, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo advogado da família do mecânico, Rodrigo Garms. Diante do pedido de parentes, ele solicitou alguns esclarecimentos a partir da exumação.

Entre eles, qual a posição do rapaz no momento em que foi alvejado, a distância entre ele e o atirador e a posição do policial no momento do disparo. Pediu também informações quanto ao tempo decorrido entre o ferimento e a morte, além de questionar o fato do cadáver não ter sido fotografado. Garms ainda reivindica dados sobre os instrumentos e meios que ocasionaram os ferimentos citados pela família.

O auto de exumação deve ser concluído em até uma semana. Todos os questionamentos que competem ao IML serão respondidos, informa o diretor do órgão. Alguns deles competem à Polícia Científica, que até ontem à tarde não havia concluído seus pareceres técnicos. Os esclarecimentos também contemplarão as informações solicitadas pela PM.

Ontem, o capitão Marcelo Martins de Marília, responsável pelo inquérito da PM, acompanhou a exumação, mas não concedeu entrevistas por não ter autorização. “A exumação irá dirimir dúvidas a cerca de questões médico-legais levantadas durante as investigações pelos familiares. Continuamos no aguardo dos laudos periciais e as investigações policiais prosseguem”, acrescentou o delegado Cremonesi.

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Versões diferentes do caso

A versão de parentes e amigos do mecânico Jorge Lourenço não coincide com a da PM. De acordo com eles, Jorge era trabalhador, nunca portou arma, nem tinha antecedentes criminais.

Já segundo relato dos policiais, o motociclista foi baleado durante confronto. Com ele, a PM informa que encontrou um revólver calibre 38 com numeração raspada e seis munições, sendo que três teriam sido deflagradas contra a PM.

Jorge pilotava uma Falcon vermelha que, segundo a PM, estava com a placa virada. Ele fugiu do bloqueio policial em alta velocidade porque estava sem habilitação e com o documento do veículo vencido, segundo a família.

Da Redação

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