Bairros

Bauruenses vivem ‘toque de recolher’ natural

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

A antiga tradição de encontrar os vizinhos para uma papo à beira da calçada ao cair da noite em muitos bairros de Bauru não pode ser cultivada. A população, principalmente da periferia, vive uma espécie de “cárcere privado” involuntário. Ao contrário da interação social, as famílias que vivem em locais sem iluminação pública preferem o isolamento dentro de suas próprias casas.

Edson Antônio de Oliveira, 41 anos, e sua mulher, Marli, 44 anos, “aprenderam” a viver sem iluminação pública. Eles moram há 10 anos numa das três quadras sem iluminação pública da alameda João Batista Pacheco Fantin, no Jardim das Orquídeas.

“Escureceu, a gente entra para casa e só sai quando é extremamente necessário. Somos espécies de presos na própria casa”, conta Oliveira, que toda madrugada caminha pelas três quadras até chegar em casa, depois do trabalho.

Enquanto ele anda, a mulher vigia do portão a presença de pessoas estranhas nos terrenos baldios em frente à casa. “Já topei com diversas pessoas estranhas, minha mulher já teve que correr de gente, minha filha já teve o tênis roubado, colegas motoristas de ônibus já foram roubados três vezes nessa esquina (próxima da residência)”, conta.

Perto dali, na avenida do Hipódromo, moradores de um condomínio fazem mutirões para andar nas quadra 8 e 9, onde existem 12 postes sem iluminação e um enorme terreno baldio com mato alto.

“Todos os dias às 19h30 saio daqui e ando 4 quadras para pegar minha mulher no ponto de ônibus, quando chega do trabalho. Não dá para andar sozinho aqui”, conta Fábio Coló, motorista de 36 anos, que também não sai de casa à noite.

Ellen Rocha, que mora no mesmo residencial, desce no mesmo ponto de ônibus por volta das 23h, quando volta da faculdade. “Desço sempre com mais três amigas. Assim nos sentimos um pouco mais seguras”, afirma.

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