Após dois anos consecutivos de queda de público e de faturamento, o momento de recuperação do setor agrícola gera perspectivas positivas para a 14.ª edição da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), considerado o maior evento agropecuário da América Latina. De acordo com o diretor da feira, Agmar Rodrigues Faria, a previsão é de movimentar cerca de R$ 700 milhões em negócios no período de 30 de abril a 5 de maio, em Ribeirão Preto (SP).
Todos os números apresentados pela organização da feira são grandiosos: 700 empresas expositoras, público estimado em 140 mil pessoas, mais de 1.200 demonstrações dinâmicas programadas, mais de 3 mil marcas, 15 mil vagas para estacionamento e área total da feira superior a 240 hectares (cada um equivale a 10 mil m2). A grande meta da feira será mostrar que a tecnologia está ao alcance de todos, desde o agricultor familiar até grandes produtores.
“O grande projeto da Agrishow este ano é a recuperação do volume de negócios. Desde 2005 a feira vinha registrando queda (de resultados) como reflexo da retração da atividade econômica agrícola. Mas desta vez existe um ânimo totalmente diferente. A safra (de grãos) está com previsão de 131 milhões de toneladas, a (cultura da) cana está crescendo, ou seja, existe uma série de fatores que estão gerando perspectivas positivas da nossa parte”, diz Faria.
Curva ascendente
Segundo ele, é consenso entre os organizadores da feira que não será possível, já neste ano, voltar a registrar números como os de 2004, por exemplo, quando o faturamento foi de R$ 1,276 bilhão - o maior dos últimos cinco anos - e 155 mil pessoas visitaram o evento. Entretanto, o fato de reverter a curva descendente que vinha sendo registrada nos últimos dois anos é motivo de comemoração.
“O momento de curva descendente que vivenciamos foi terrível. Na hora dos produtores fazerem suas compras para plantar a safra o dólar estava a R$ 3,80, e na hora de vender estava R$ 2,40. Depois disso o dólar continuou caindo, até chegar recentemente a (pouco mais de) R$ 2,00, sem que os custos de produção tivessem queda. Agora, os preços internacionais estão subindo um pouco e o mercado da cana está crescendo, o que vem ajudando bastante nessa recuperação”, analisa o diretor da Agrishow.
Neste ano, a quantidade de apresentações de campo está 20% maior em comparação a 2006, com 1.200 demonstrações dinâmicas agendadas. Entre elas estão eventos e orientações técnicas direcionadas à agricultura familiar (com temas como preparo de solo, distribuição de fertilizantes e de corretivo, plantio direto, pulverização, hortifruticultura, colheita de feijão e de milho, máquinas, entre outros).
Agricultura empresarial e até mesmo pecuária também estão entre os temas abordados pelas demonstrações dinâmicas. Entre os 700 expositores da feira existem participantes da Itália, Espanha, China, Inglaterra, Rússia e de outros países.
“A Agrishow Ribeirão Preto é reconhecida como um evento técnico-comercial eclético, com a presença de expositores, apresentações dinâmicas e palestras técnicas para as mais diferentes atividades produtivas. É o caso do café, da cana-de-açúcar, laranja, fruticultura, grandes culturas (soja e milho), algodão, olericultura e culturas em pequenas propriedades”, ressalta Sérgio Magalhães, presidente do Sistema Agrishow.
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Programação técnica
O segmento sucroalcooleiro mereceu atenção especial da organização da Agrishow neste ano com uma área específica, programação técnica e participação de fornecedores para usinas e produtores rurais. Também haverá apresentação de equipamentos para produção de biodiesel.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentará durante a feira sua “Vitrine Tecnológica”, com a mostra de diversas tecnologias voltadas para a produção agrícola. Na área de produção animal, além da renovação da área de pecuária de corte e leiteira, terão destaque neste ano a ovinocultura e a caprinocultura.
O diretor da feira, Agmar Rodrigues Faria, cita ainda que quatro instituições financeiras participarão da 14.ª Agrishow e que existe disponibilidade de financiamento em todas as linhas oferecidas pelo governo.
“No Moderfrota, foram disponibilizados R$ 3 bilhões para serem gastos até junho deste ano, sendo que somente R$ 1,2 bilhão foram utilizados. Ou seja, não haverá nenhuma dificuldade de encontrar linha de financiamento para os agricultores”, destaca Faria.