Anápolis - A inauguração ontem da montadora de automóveis da parceria Caoa-Hyundai teve entre seus convidados o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Segundo a assessoria do evento, ele foi convidado por conta de sua “influência” na região. Antes do evento, na sala vip reservada a empresários e políticos da região, com um broche da Presidência da República, Delúbio distribuiu fortes abraços e apertos de mão. Tudo na linha do “quanto tempo”, “como vai?” e “satisfação em revê-lo”.
De terno cinza, gravata vermelha e aparelho nos dentes, não quis falar com a imprensa. A reportagem se aproximou dele e fez duas perguntas. Quem o convidou? Qual a sua avaliação sobre a ação do mensalão agora no STF? Delúbio limitou-se a sinalizar negativamente com a cabeça. “Obrigado”, disse, sorrindo, antes de dar as costas. No momento do evento, Delúbio não apareceu.
Segundo seguranças, havia deixado o local antes da chegada de Lula. Nesta semana, ao lado do ex-presidente do PT José Genoíno (SP), do publicitário Marcos Valério e outras oito pessoas, Delúbio foi incluído numa lista de réus na primeira ação penal aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao caso do "mensalão".
Em meados de 2005, Delúbio foi um dos pivôs do escândalo que derrubou toda a direção petista, enfraqueceu o governo Lula e trouxe à tona o crime eleitoral do caixa dois e de empréstimos irregulares. Delúbio está formalmente desempregado desde janeiro do ano passado, quando foi demitido do cargo de professor de matemática da rede estadual de ensino de Goiás. Antes disso, ele vinha acumulando dispensas para se dedicar às atividades no PT.
Após o evento, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono do grupo Caoa, disse ter conhecido Delúbio apenas ontem. “Nem conheço o Delúbio. Eu conheci hoje (ontem). Nunca vi na minha vida”, disse o empresário, que primeiro negou e, minutos depois, admitiu ter convidado o ex-tesoureiro petista.