Cultura

Mestre dos fanzines

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Ele tem apenas 22 anos, mas desde a adolescência troca idéias com alguns figurões do gênero, como Flávio Colin, Júlio Shimanoto e José Aguiar. Esses e outros quadrinistas já estamparam as páginas do fanzine “Justiça Eterna”, lançado por Sérgio Chaves quando tinha 14 anos. Hoje, o jovem de Vera Cruz tenta controlar a ansiedade: “Justiça Eterna” compete com outra obra do editor, “Efeito Dominó”, e com mais cinco indicados ao prêmio HQ Mix 2007 – o Oscar dos quadrinhos – na categoria melhor fanzine.

Apesar da animação que toma conta dos envolvidos nos projetos, (ao todo são três colaboradores fixos e outros eventuais), Chaves não se mostra tão confiante na premiação. Mesmo porque “Justiça Eterna” não levou o prêmio para casa quando concorreu na mesma categoria na edição de 2006 do HQ Mix. “Só a indicação é uma vitória”, diz.

A frase pode até parecer um antídoto contra futuras frustrações, mas quem acompanha o dia-a-dia desse balconista de farmácia sabe que é sincera. De sua casa, ele banca de forma independente a produção dos fanzines, vendidos, em sua maioria, via correio para todo o Brasil por preços que variam de R$ 1,00 a R$ 2,00.

Produções

“Justiça Eterna”, no início dedicado a super-heróis, hoje completa oito aniversários e 23 edições de registros da história das HQs brasileiras. “É um fanzine de histórias em quadrinhos e afins, que visa divulgar autores e trabalhos do meio independente, principalmente os nacionais”, explica Sérgio Chaves. Com 16 páginas de papel sulfite, a publicação só abre mão do preto e branco na capa, sempre alternada entre amarelo, azul e verde.

Só no ano passado, o fanzine recebeu o Prêmio Zine Brasil, de Pernambuco, e o Prêmio DB Artes Independentes, do Sergipe; ambos como melhor fanzine. Em 2007, a publicação conquistou uma das maiores e mais respeitadas premiações de quadrinhos do Brasil, o Troféu Angelo Agostini, por melhor fanzine de 2006.

Ainda quente do forno, “Efeito Dominó” traz histórias do dia-a-dia escritas por Chaves que são sempre interligadas por algo em comum. “Nem sempre uma é seqüência da outra, mas sim conseqüência uma da outra”, explica. Sem uma periodicidade fixa, o fanzine é menor, de oito páginas, e contabiliza duas edições: a primeira em agosto do ano passado e a última em dezembro.

Atualmente, Chaves também edita o fanzine de HQs, poesias e resenhas de bandas independentes “Universo Subterrâneo” e só não vai mais longe por um pequeno detalhe: grana. “Infelizmente, sai tudo meu bolso e isso acaba limitando a produção”, lamenta. Mas o editor está montando um projeto para aliviar o bolso e alimentar as bancas.

Fanzines

Abreviação de “fanatic magazine”, mais propriamente da aglutinação da última sílaba da palavra magazine (revista) com a sílaba inicial de fanatic, fanzine é uma revista editada por um fã. Trata-se de uma publicação despretensiosa e eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, dependendo do poder econômico do editor.

Na maioria das vezes, engloba todo o tipo de temas, com especial incidência em histórias em quadrinhos, ficção científica, poesia, música, feminismo, cinema e jogos. Esse tipo de publicação começou nos Estados Unidos, em 1929. Também foi marcante na Europa, especialmente na França, durante os movimentos de contracultura de 1968.

No Brasil, o termo fanzine acabou se estendendo à toda produção independente. O primeiro que se tem conhecimento é o “Ficção”, criado por Edson Rontani, em 1965, em Piracicaba, São Paulo. A publicação trazia textos informativos e uma interessante relação de publicações brasileiras de quadrinhos desde 1905.

Nos últimos anos, os fanzines têm crescido no País principalmente como reação de artistas e público ao descaso das editoras de quadrinhos em relação à produção nacional. (Fonte: Wikipédia)

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