Brasília - O inquérito sigiloso da Operação Hurricane - deflagrada na sexta passada pela Polícia Federal (PF) - revela que a organização criminosa especializada na venda de sentenças para favorecer casas de bingo também tinha interesse no futebol. Gravações telefônicas feitas pela PF mostram que um dos alvos dos acusados era o atacante Romário, do Vasco.
De acordo com as gravações, a máfia do jogo tentou “comprar” o passe de Romário para levá-lo para o América. Na época da gravação, ele ainda não atuava no Vasco. Num dos trechos gravados pela PF, o policial civil do Rio de Janeiro Marcos Bretas conversa com o presidente da Associação dos Bingos no Rio de Janeiro, Paulo Lino, sobre a compra de Romário.
Na gravação, ele fala de um “pagamento mês a mês” que seria dado ao jogador para ele se mudar para o América. O dinheiro para a transferência de Romário viria dos jogos. Bretas e Paulo Lino estão presos desde a última sexta-feira com outras 23 pessoas acusadas pela PF de comprar sentenças judiciais que favoreciam bicheiros e donos de casas de bingos.
A conversa foi gravada pela PF, com autorização judicial, no dia 25 de setembro do ano passado. Na época, Romário jogava no Miami Futebol Clube, dos Estados Unidos. Bretas liga para Lino e diz que tem ao seu lado “um amigo que é representante do América”. Ao introduzir o assunto, ele informa que já havia pedido para o advogado Jaime Garcia Dias - também preso pela Operação Furacão - para conversar com Lino sobre o assunto que não poderia “sair na imprensa”.’
Segundo fontes da PF, o interesse pode indicar uma tentativa do grupo de lavar dinheiro por meio da compra do jogador. As investigações, no entanto, não avançaram porque a compra não se concretizou e Romário acabou no Vasco. Procurado pela reportagem, o Vasco informou que o contrato de Romário com o clube vence em dezembro e que não tomou conhecimento dessa negociação.
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PF investiga 80
Brasília - Fontes da Polícia Federal revelaram ontem o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o bloqueio de bens e contas bancárias de 40 pessoas físicas e jurídicas. Elas são acusadas de envolvimento com a quadrilha especializada na venda de sentenças judiciais para beneficiar a máfia de jogos.
Anteontem, essas fontes haviam informado que o bloqueio de bens atingiria 50 pessoas - 25 presos na sexta passada, seus parentes e sócios pela PF durante a Operação Hurricane. Ontem, eles disseram que são 40 CPFs e CNJs atingidos pelo bloqueio. Desse total, 25 são dos presos e 15 de pessoas ligadas a eles - como parentes, laranjas e sócios. Segundo a PF, o número de contas bloqueadas pode passar de 80, já que uma mesma pessoa pode possuir várias.
A PF também investiga contas no Exterior. Para isso pediu ajuda de organismos internacionais que irão trabalhar em conjunto com o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) na busca de movimentações financeiras suspeitas de pessoas ligadas aos presos e deles próprios.