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Álcool: a virada brasileira?


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Com o boom do álcool em todo o mundo, o plantio de cana-de-açúcar deve crescer consideravelmente em todo o país. Essa tendência, confirmada depois do acordo firmado entre Brasil e Estados Unidos para o fornecimento do etanol, combustível considerado renovável e de baixo custo, parece irreversível.

Basta um olhar um pouco mais atento às rodovias paulistas para observar o mar de cana que não pára de crescer. Se confirmadas as expectativas dos produtores e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teremos que pelo menos dobrar a nossa produção de álcool nos próximos anos para fornecermos combustíveis somente para o mercado norte-americano.

Se levarmos em consideração parte considerável do agronegócio brasileiro vem migrando para essa commodity, corremos também o risco de ver um surto de devastação de florestas, áreas de proteção ambiental e invasão sobre outras culturas, esta última comprovada com recentes denúncias de que os canaviais já ocupam áreas de pastagem.

É inegável, no entanto, que precisamos exportar para crescer de maneira sustentável. Mas a movimentação dos capitais internacionais em busca da aquisição de plantas industriais no Brasil põe em risco todo conhecimento acumulado por meio Pró-Álcool, que só existiu devido a pesados investimentos públicos.

É essencial que o Brasil aproveite esse movimento econômico mundial para desenvolver uma política estratégica e levar a indústria brasileira dos biocombustíveis internacionalizar-se com a exportação de seu know-how e assumindo todo o ciclo da produção a comercialização de álcool e biodiesel em outros países. Temos de transformar nossos “Silvas” nos “Rockfelers” do álcool.

Na prática, não podemos abrir mão de políticas públicas capazes de fazer valer todo nosso conhecimento para produzir commodities fora de nosso território e gerar riqueza para o país pela nossa competência acumulada. Já foi o tempo em que éramos explorados pela nossa mão-de-obra barata e pela fertilidade de nossas terras. O Brasil que não deve e não pode mais fazer o papel de instrumento de acumulo de riqueza dos capitais internacionais.

A competência da indústria brasileira de etanol foi induzida por meio de uma política pública de longo prazo, que demandou altos investimentos e que, agora, começa a produzir resultados efetivos. Assim foi também com a Petrobras, a Embraer e outras empresas nacionais de classe internacional. Portanto, inovação tecnológica em áreas estratégicas demanda visão estratégica de longo prazo, investimento e políticas públicas.

O autor, Sylvio Goulart Rosa Jr., é professor e presidente da Fundação Parque de Alta Tecnologia São Carlos

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