Política

6 grupos já se articulam para 2008

Nélson Gonçalves e Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Seis grupos estão se delineando na cidade a fim de integrar o possível quadro sucessório bauruense no ano que vem. José Clemente Rezende e PMDB pela situação; o PSDB e seus três pré-candidatos (Marcelo Borges, Toninho Garmes e Caio Coube) com o PP; o PTB com Izzo Filho já filiado e quem mais chegar; o PT, com futuro próximo ainda em aberto; e o DEM (ex-PFL), com Dudu Ranieri à frente, e um grupo que poderá abrigar uma frente mais à esquerda, que poderia ter PSB, PC do B, PSOL, talvez PSTU, PCO. Neste último caso, vale afirmar que o grupo pode ser diluído nas demais alianças. Há ainda o PV e o PR, ex-PL, que poderão fechar com qualquer um dos blocos citados.

Um deles terá a participação do PDT, liderado pelo vereador Antonio Faria Neto. Trata-se, no momento, do grupo onde está o PMDB, presidido pelo também vereador Alex Gasparini. A ponte comum entre as duas legendas seria Clemente Rezende. O vereador licenciado tentou sondar, via comando estadual pedetista, as chances de garantir o apoio da legenda nas eleições de 2008.

Mas entre outros caminhos e sondagens, o mais próximo do presidente do DAE, neste momento, parece ser o apoio do PMDB. “Nossos partidos têm linha programática semelhante e, por isso, acho que devemos estar juntos nas eleições. Mas ainda estamos no início das conversas”, confirmou Alex Gasparini nesta semana.

O diálogo passa por afinidades cada vez mais visíveis também entre Clemente e Rodrigo Agostinho, secretário de Meio Ambiente que também está licenciado do Legislativo para prosseguir no comando do cargo de primeiro escalão do governo municipal.

O desconforto de Clemente no PDT, basicamente, não é fruto de seu próprio nome, mas do fato dele ser próximo do prefeito Tuga Angerami. A situação tem levado Faria Neto a comentar, nos bastidores, que não será surpresa até se o PDT não desse legenda para uma candidatura de Rezende. Mas, a especulação mais forte em torno dos pedetistas é o de que a legenda ainda pode integrar uma possível frente de esquerda.

A frente já é cogitada entre pelo menos uma liderança pedetista e membros do PSB. Estes sonham com um bloco que poderia ter PC do B, PR (ex-PL) e PSOL, e ainda juntos com o PDT e PT. Mas como petistas têm optado por candidatura própria nas últimas eleições e, agora, estão de “namoro” com o tucano Marcelo Borges, através do vereador José Carlos Batata, o caminho da frente está longe de ser pavimentado.

Outro grupo pode ser composto pelo PSDB e PP, união que já se estabeleceu durante a última campanha vitoriosa do tucano Pedro Tobias à reeleição para deputado estadual e que foi selada e sacramentada durante a eleição da Mesa Diretora do Legislativo, que culminou com a escolha do progressista Paulo Madureira à presidência da Câmara.

Integrantes da maior bancada da Casa de Leis, formada pelos vereadores Antonio Carlos Garmes, Benedito da Silva, Marcelo Borges e João Parreira, os tucanos apoiaram Madureira na eleição da Mesa, projetando a reciprocidade progressista às eleições de 2008.

E, para esse pleito, os tucanos já definiram seus três pré-candidatos para a “cabeça” de uma futura chapa: o empresário Caio Coube, que mesmo tendo renunciado recentemente à presidência do diretório municipal tucano ainda não descartou totalmente a possibilidade de disputar o Palácio das Cerejeiras, e os vereadores Antonio Carlos Garmes e Marcelo Borges.

Situação interna

O que se tem de seguro no ninho tucano é que, em eventual prévia interna, como já defendeu o líder do partido, Pedro Tobias, haveria um embate entre Marcelo Borges e Toninho Garmes e, talvez, Caio Coube, que se colocou fora da disputa, não se sabe por quanto tempo.

Reservar a legenda teria sido a motivação real do anúncio da assinatura de ficha de filiação do ex-prefeito Antonio Izzo Filho ao PTB, na última semana. O presidente municipal petebista, Ricardo Oliveira, ouviu um passarinho dizer: “Assina a ficha com o Izzo, que isso espanta o Caio e o Clemente”.

De olho nisso, o prefeito de Agudos, Carlos Octaviani, sem espaço no PMDB, também enfiou uma ficha na gaveta do líder estadual do PTB, deputado Campos Machado.

Já os agora democratas do ex-PFL também deverão integrar a corrida sucessória a prefeito. Em entrevista recente ao JC, o presidente do diretório municipal, o empresário Dudu Ranieri, garantiu que o partido, diferentemente das duas últimas eleições, lançará candidato a prefeito em 2008 e aceitará somente uma composição para estabelecer o vice de uma eventual chapa.

Por fim, o PT também é outro grupo político que deverá participar do pleito em 2008, mas desta vez não com a presidente do diretório municipal, Estela Almagro, que já declarou pretender dedicar-se à conclusão dos estudos universitários e seguir carreira profissional no Direito, mas sem afastar-se do partido. Assim, o nome do vereador José Carlos de Souza Pereira, o Batata, surge como um dos candidatos.

Mas como Batata não costuma freqüentar programas de aventura, será mais provável imaginar que ele, como bom meia direita nas peladas de futebol, articule para passar a bola da legenda junto com outros grupos. E nesse jogo de estratégia, não seria difícil imaginar um time inclusive junto com os tucanos, se Marcelo Borges for mesmo o candidato a prefeito pelo ninho. Ambos estão bem entrosados.

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