Não existe idade específica para se iniciar uma luta em prol do bem comum. Com apenas 15 anos, Adriana Priscila Neto Teza resolveu arregaçar as mangas. Moradora da Vila São Paulo, preocupada com o fato do bairro figurar no topo da lista de incidência de casos de dengue em Bauru, ela convenceu os colegas e a direção da Escola Estadual Doutor Carlos Chagas a promover uma passeata de conscientização com o objetivo de diminuir o índice de infectados na região.
“Saiu no jornal que o nosso bairro é aquele que tem mais casos de dengue na cidade. Como os professores pediram para fazermos cartazes informativos sobre o assunto e colar na escola, dei a idéia de nos juntarmos e fazermos uma passeata. A professora de biologia gostou, a diretora aprovou e estamos aqui”, conta a estudante da 8.ª série, que acompanhou o sofrimento de uma vizinha que contraiu a doença.
Por volta das 9h30 de ontem, empunhando cartazes e balões de ar, usando máscaras imitando o mosquito transmissor da doença e assoprando bem forte os apitos distribuídos pela direção da escola, os cerca de 300 alunos dos ensinos fundamental e médio percorreram várias ruas e, além da Vila São Paulo, chamaram a atenção dos moradores da Pousada da Esperança 1 e 2.
A costureira Celina Damásio de Oliveira, 47, e sua amiga Márcia Dias dos Santos, 37 anos, saíram no portão de casa para saber de onde vinha tanto barulho e ganharam panfletos informativos. “É importante que eles façam isso, porque todo mundo tem que fazer a sua parte. Não adianta limparmos sempre nosso quintal e os outros não”, destaca Celina. “As pessoas também têm que parar de jogar lixo e entulho nos terrenos, além dos donos manterem eles limpos”, completa Márcia.
Até mesmo pais de alunos resolveram aderir à iniciativa. Ana Paula Alves, 32 anos, não pensou duas vezes, depois que seu filho, da 3.ª série, a convidou para a passeata. Ela já teve filha, irmã e cunhado infectados pela doença. “Só quem teve casos na família é que sabe como é difícil”, explica. “É importante que cada um faça a sua parte e evite que surjam mais doentes”, completa.
A diretora do colégio, Maria Eunice Borges de Miranda Reis, explica que a idéia de Priscila foi bem aceita pelo colégio e afirma que a iniciativa também seria uma homenagem a Tiradentes, cujo dia foi comemorado hoje. “Ele é considerado um mártir e a caminhada serve para conscientizar a população desses bairros sobre a importância da higienização para a que o mosquito seja erradicado”, afirma.