Reza a cartilha do civismo que os bons cidadãos devem estar sempre prontos para colaborar com o trabalho da polícia. Ontem pela manhã, um rapaz morador do Parque Ferradura Mirim acabou seguindo essa lição à risca, só que sem querer.
Graças à ajuda dele, os agentes da Força Tática da Polícia Militar (PM) conseguiram fechar um ponto de venda de drogas que funcionava no bairro. O interessante nisso tudo é que o jovem, que não teve seu nome revelado, é acusado de ser um dos traficantes responsáveis pela “boca”.
O rapaz caminhava pela rua, por volta das 8h, quando percebeu que a viatura estava revistando um garoto de 16 anos. Segundo a PM, o adolescente carregava 14 papelotes de maconha no bolso da calça, além de 200 gramas da mesma drogas, que estavam escondidas sob seu órgão genital.
O adolescente foi pego por acaso: antes de avistar o carro da PM, ele também andava pelas ruas do Ferradura Mirim. Assim que percebeu a presença dos agentes, ele alterou repentinamente o comportamento.
Os policiais resolveram abordá-lo. Assim que a droga foi encontrada, o outro rapaz, que é maior de idade, assustou-se e começou a correr desesperado. Os agentes decidiram, então, segui-lo. Ele chegou até uma casa, localizada na quadra 4 da rua 15.
Lá, quase sem fôlego, começou a gritar: “Sujou! Sujou! Os homens!” - revelando, assim, a localização da “boca”. Os policiais tiveram apenas o trabalho de descer da viatura e recolher as dezenas de papelotes de maconha que estavam espalhados pelo imóvel. Eram 84, no total.
Depois, os agentes conseguiram desenterrar ainda um pequeno “tijolo” da droga, de aproximadamente 200 gramas, que estava escondido no quintal. O homem, o adolescente e um outro menor, morador da casa, foram encaminhados para o Plantão da Polícia Civil. Os dois garotos foram encaminhados aos cuidados da Delegacia de Infância e Juventude (Diju) de Bauru.
O acusado, por sua vez, seria mandado para a Cadeia Pública de Avaí. Ontem pela manhã, enquanto o Boletim de Ocorrência estava sendo elaborado, familiares dos jovens acusados de tráfico aguardavam ansiosos em frente ao Plantão Policial.
Alguns, por sinal, aparentavam não estar nada satisfeitos com a situação. É que como toda a maconha foi apreendida, eles teriam de “se virar” para ressarcir o prejuízo junto aos líderes do tráfico no bairro. “Agora, a gente é que vai ter que fazer correria pra pagar esse ‘barato’”, comentou uma mulher.