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Territórios abrem eleição da França

Folhapress
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Paris - Começou ontem a votação para a eleição presidencial da França com a ida às urnas dos eleitores nas pequenas coletividades territoriais francesas de Saint-Pierre e Miquelon, na costa leste do Canadá. A votação dentro da França será realizada apenas hoje. Cerca de 1 milhão de cidadãos franceses que vivem em territórios de ultramar, assim como na Polinésia Francesa, podem votar um dia antes da eleição na França, em um movimento para encorajar o alto comparecimento na votação, que é voluntário.

Em eleições anteriores, as diferenças de fuso horário permitiram uma clara indicação dos resultados gerais da eleição antes que as urnas nos territórios fora da França tivessem sido fechadas.

A França tem quatro Departamentos de Ultramar (Guiana Francesa, Guadalupe, Martinica e Reunião), quatro Territórios de Ultramar (Polinésia Francesa, Nova Caledônia, Ilhas Wallis e Futuna, Terras Austrais e Antárticas) e duas coletividades territoriais (Sait-Pierre e Miquelon, Mayotte).

Últimas remanescentes das antigamente vastas possessões da França na América do Norte, as ilhas de Saint-Pierre e Miquelon possuem cerca de 5.000 eleitores registrados. A Guiana Francesa, as ilhas caribenhas de Martinica e Guadalupe e a Polinésia Francesa também deverão começar a votar antes das urnas serem abertas na França às 8h de hoje.

Um total de 44,5 milhões de franceses devem ir às urnas hoje na eleição presidencial do país, que irá apontar o novo líder para um mandato de 5 anos. A votação representa o início de uma nova era já que, após 12 anos no poder, o atual presidente, Jacques Chirac, 74 anos, decidiu não concorrer à reeleição.

O favorito de direita Nicolas Sarkozy e a candidata socialista Ségolène Royal lideram as últimas pesquisas autorizadas antes da realização do primeiro turno das eleições presidenciais hoje na França, com o líder da extrema direita Jean-Marie Le Pen na terceira posição.

De acordo com sondagem CSA, Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal possuem 26,5% e 25,5%, respectivamente, das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Jean-Marie Le Pen, em alta de 0,5 ponto, com 16,5%, ultrapassa o candidato de centro François Bayrou, com 16%.

Para o segundo turno, Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy estão empatados em 50-50, segundo a pesquisa CSA. De acordo com o instituto Ipsos, Sarkozy aparece estável com 30% e Royal ganha 0,5 ponto, com 23,5%. Nesta enquete, o terceiro homem é François Bayrou, com 17%, e Jean-Marie Le Pen obteria 13,5% (+0,5) dos votos. No segundo turno, Sarkozy ficaria com 53,5% dos votos e Royal, 46,5%.

De acordo com a pesquisa BVA, Nicolas Sarkozy estaria com 29% das intenções de voto, na frente de Ségolène Royal, que ganha um ponto, 26%, seguida de François Bayrou com mais 2 pontos, 17%. Jean-Marie Le Pen baixa meio ponto, com 12,5% das intenções de voto.

No segundo turno, Sarkozy venceria Royal com 52% (queda de um ponto com relação ao levantamento anterior) dos votos contra 48% (crescimento de um ponto). Segundo estes três institutos, nenhum dos outros oito candidatos ultrapassa os 5%, pontuação obtida por Olivier Besancenot da Liga Comunista Revolucionária (LCR).

Estas foram as últimas pesquisas publicadas antes do final oficial da campanha à meia-noite de anteontem. A partir daí, as publicações das intenções de voto e a realização de comícios estão proibidas.

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Sarkozy, o ex-desconhecido

Até há bem pouco o establishment de centro-direita na França não se reconhecia em Nicolas Sarkozy, 52 anos. Mas com o tempo ele tornou-se para os conservadores moderados a única opção presidencial.

“Sarkô’’ tinha tudo para dar errado. É feio, tem pouco charme e erudição literária, mas se impôs ao insistir que a meritocracia deve substituir as castas de privilegiados. E, sobretudo, ao defender a lei e a ordem num país em que os conservadores temem os criminosos, imigrantes e arruaceiros.

Sarkozy era pouco conhecido até 2002. Naquele ano se tornou ministro do Interior, responsável pela polícia. Tomava pessoalmente providências, participava compulsivamente de reuniões em que palpitava sobre todas as áreas do governo. Já era candidato.

Antes disso, tinha sido prefeito, aos 28 anos, de Neuilly-sur-Seine, o mais chique dos subúrbios parisienses, deputado e ministro do Orçamento. Passou depois pelo Ministério da Economia, onde traiu seu liberalismo econômico, conforme a revista “Economist’’, para, com dinheiro dos contribuintes, salvar da falência a Alstom, indústria ferroviária de ponta.

Filho de imigrantes judeus húngaros convertidos ao cristianismo, diplomou-se em direito e fez mestrado na área jurídica. Tem três filhos de dois casamentos.

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Ségolène Royal, a diferenciada

Por seis anos, Marie-Ségolène Royal, 53 anos, foi uma anônima assessora do presidente socialista François Miterrand. Sua ascensão é recente no Partido Socialista. Elegeu-se deputada em 1988 e ocupou, entre 1997 e 2002, três ministérios pouco importantes em gabinetes da esquerda.

Há três anos elegeu-se para a presidência do conselho regional de Poitou-Charentes, tradicionalmente governado pela direita. Muitos socialistas, sem uma liderança nacional que os unisse, comemoraram essa vitória de modo bastante exagerado para promover sua pré-candidatura presidencial.

Seu nome foi oficializado em primárias no final de 2006. A lembrança de 2002, quando o candidato presidencial socialista, Lionel Jospin, não foi para o segundo turno, tende a beneficiá-la com o voto útil.

Ségolène reúne três grandes vantagens: ser mulher, novidade num país de certa misoginia política, ser pouco convencional, por nunca se ter casado com François Hollande, hoje presidente do PS e com quem teve quatro filhos, e integrar uma geração mais recente de militantes, pouco comprometida com as derrotas e os escândalos do PS dos anos 70 a 90.

Ségolène quer que a sociedade participe das decisões de governo por meio dos conselhos comunitários, mais ou menos como queria no Brasil o PT dos anos 80.

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Bayrou, o provinciano assumido

François Bayrou, 55 anos, chegou a assustar Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy. De concorrente nanico, há seis semanas superou a barreira dos 20% das intenções de voto, mas seu fôlego parece ter sido curto.

Embora presidente de um pequeno partido conservador, a UDF (União pela Democracia Francesa), acenava com a possibilidade de quebrar a divisão entre esquerda e direita e se apresentava como homem de centro. Esse espaço intermediário, no entanto, se fechou na reta final, sobretudo porque Bayrou produziu um prato morno com ingredientes díspares e de apetite dificultado por sua falta de carisma.

Católico, pai de seis filhos, criador de cavalos de raça, professor de literatura e escritor, Bayrou é acima de tudo um provinciano assumido, nascido perto da fronteira da Espanha e que já havia se candidatado à Presidência em 2002.

Deputado desde 1986, ele se tornou conhecido como ministro da Educação (1993-1995), em gabinetes da direita. A imagem que deixou foi a de um gestor dado a longas e bem argumentadas reflexões e de alguns fracassos, como a integração das escolas religiosas privadas ao sistema público de ensino.

A sua campanha deixa um recado: o de que a França pode caminhar para o modelo italiano, de entendimento entre partidos e facções que tendem para o centrismo.

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