Pirajuí - Ás vésperas de completar três anos o crime que abalou a cidade de Pirajuí (a 58 quilômetros de Bauru) ainda está sem solução. A morte brutal da jovem Natália Cristina dos Santos, na época com 19 anos, na madrugada do dia 2 de maio de 2004 figura numa lista de crimes não esclarecidos para a polícia, mas para a família permanece como uma ferida aberta. Inconformados, os familiares da babá colheram 1.700 assinaturas para serem entregues juntamente com um dossiê no Departamento de Homicídios da Polícia Civil de São Paulo (DHPP), pedindo uma equipe isenta que possa investigar e esclarecer o homicídio. O documento deve ser enviado no próximo dia 27.
Todas as esperanças da família estão depositadas nessa nova empreitada, uma vez que a investigação policial à época não chegou a colocar nenhum suspeito na cadeia por muito tempo, por falta de provas. Os acusados nem chegaram a ir a júri pelo mesmo motivo.
O promotor de justiça da cidade, Roberto de Almeida Salles, diz com todas as letras que ninguém mais do que ele quer uma resposta para uma pergunta que está engasgada na garganta da população e da família: quem matou ou mandou matar Natália.
Ele ressalta que as investigações que não sustentaram a continuidade da ação acompanhadas por ele. “Eu acompanhei. Em cima dos fatos houve a ação penal, após a ação penal o que teve foram provas insuficientes para uma pronúncia, ou seja, não eram suficientes para levar os acusados a júri. A juíza do caso entendeu da mesma forma”, garante Salles.
A partir daí a polícia Civil está promovendo novas investigações, que podem seguir qualquer linha de pensamento. Podem ser investigadas as mesmas pessoas ou outras, porque o fato está em aberto. “Várias versões foram lançadas ao longo de todo o processo e todas elas foram checadas. O sangue encontrado no carro de um dos suspeitos não foi comprovado ser de humano por isso eu acredito que os fatos precisam ser melhor investigados”, sustenta o promotor.
A família concorda em número e gênero com o promotor e quer que o caso seja melhor investigado para que finalmente seja esclarecido. “Depois da morte da Natália não temos mais sossego”, diz o padrasto da babá, Márcio Rosalino da Silva.
Para ele, a morte de Natália é uma ferida aberta que, enquanto não for esclarecida, ficará marcada não só para a família, mas também para os moradores. “Foi um crime brutal. Não pudemos abrir o caixão. O rosto dela estava todo desfigurado. Passaram com o carro por cima dela”, relata.
O padrasto lembra que ela se esforçava nos estudos e sonhava ser médica veterinária. “Eles gostava de crianças e animais. Tinha a intenção de se tornar veterinária, mas não teve tempo, acabaram com a vida dela antes.”
A titular da delegacia de Pirajuí, Rosemeire Bárbara, confirma que as investigações estão em andamento e que o caso não foi encerrado. “Estamos prosseguindo com o trabalho e esperamos concluir o inquérito com fatos novos e com provas suficientes para esclarecer o crime”, afirma.
De acordo com a delegada, o caso Natália está engasgado não só na garganta da família, mas da população da cidade, que clama por Justiça. Bárbara não quis adiantar detalhes da investigação, mas garantiu que podem ser presos novos suspeitos.
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O caso
Foi num domingo, dia 2 de maio de 2004, que o corpo de uma mulher totalmente desfigurado coberto com um papelão foi encontrado no Parque Santa Guilhermina, perto do Clube de Tênis. O reconhecimento do corpo como sendo de Natália Cristina dos Santos foi feito pela tia. O laudo pericial revelou que a morte foi por asfixia mecânica, estrangulamento e espancamento. A vítima tinha lesões nas costas e o peito havia sido destruído pelas rodas do carro, que passou mais de uma vez sobre o corpo. Teve início o drama da família.
A jovem, que havia deixado a casa dos pais por volta das 23h30, foi vista na casa noturna Reduto, o point da época. Ela teria sido levada para casa por Pedro Zuchieri Júnior, comerciante da cidade, que a teria deixado na esquina, de onde ela, segundo a família, teria sido seqüestrada pelos autores do crime.
Durante a investigação, que resultou em falta de provas, três dos quatro suspeitos chegaram a ser presos, mas se livraram das acusações. Várias versões foram aventadas, mas nenhuma delas esclareceu o brutal homicídio.
Para o advogado Roberto Carreteiro, que já figurou como investigador do caso e hoje está fora da polícia, o crime poderia ter sido esclarecido se o delegado da época tivesse aceitado sua opinião e seguido uma linha de investigação diferente da que seguiu. “O Pedro mentiu em seu primeiro depoimento. O álibi apontado por ele foi checado e não batiam as informações”, sustenta.
A não-concordância de opiniões entre o investigador e delegado culminou com a saída do investigador do caso. “Fui afastado e posteriormente poderia ter voltado, mas optei por advogar.”