Economia & Negócios

Para homens, boa aparência atrai negócios

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Os homens não são mais os mesmos. Depilam os pêlos, pintam os cabelos, usam cremes para retardar o envelhecimento e estão abertos a todo tipo de tratamento estético. “Eles acreditam que ter uma boa aparência é importante para prosperar nos negócios e fazer sucesso com as mulheres”, afirma José Bacellar Júnior, diretor da 2B Brasil Marketing Research & Consulting, responsável pela pesquisa “Adones Report”, abordando a vaidade masculina (o termo Adones refere-se ao deus da mitologia grega que se caracterizava pela beleza).

Os tratamentos de cabelos, pele e unhas já são comuns, e os homens estão dispostos a continuar investindo em si mesmos. Segundo o estudo, homens entre 25 e 34 anos, solteiros e com alto poder aquisitivo são o alvo desse mercado. Classificados como ‘arrojados’ pela pesquisa da 2B Brasil, eles consomem até 17 produtos de beleza regularmente, contra os seis adquiridos pelos homens de perfil ‘tradicional’.

Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) comprova a teoria e mostra que esse mercado começa a registrar um crescimento significativo. Hoje, um em cada 50 brasileiros usa algum tipo de cosmético para retardar o envelhecimento. Há cinco anos, esse número era de um para cada 500.

Metrossexuais

O perfil do novo consumidor masculino pode ser encontrado entre aqueles com 25 a 45 anos, faixa em que já possuem independência financeira e sabem o que comprar. “Até existem alguns mais jovens, mas a maioria é de jovens senhores”, destaca Juliana Majerowicz, gerente de uma loja especializada em moda masculina em Bauru.

O mais interessante é que justamente nessa faixa etária estão incluídos os denominados ‘metrossexuais’, homens essencialmente urbanos, heterossexuais e que não têm vergonha de dizer que cuidam do corpo, da alma, da pele e do guarda-roupa.

Metrossexual é um termo originado nos finais dos anos 90, pela junção das palavras metropolitano e heterossexual, sendo uma gíria para um homem heterossexual urbano excessivamente preocupado com a aparência, gastando grande parte do seu tempo e dinheiro em cosméticos, acessórios e roupas de marca.

Foi usado pela primeira vez em 1994 pelo jornalista britânico Mark Simpson e foi aproveitado pelas revistas masculinas britânicas e norte-americanas para fazerem desta definição o seu público-alvo. Depois da sua utilização ter decrescido nos EUA, o termo foi reintroduzido em 2000 a partir da diminuição dos tabus relativos à cultura homossexual (e com a qual este termo era freqüentemente confundido).

Mas só em 2002 é que o termo se vulgarizou. Tudo começou com um novo artigo de Mark Simpson, em que afirmava que o jogador inglês David Beckham, atleta do Los Angeles Galaxy, era metrossexual por gostar de passar o dia nas compras, arranjar as unhas, ir ao cabeleireiro ou cuidar do corpo. Após a publicação de tal artigo, a firma Euro RCSG Worldwide adotou-o numa pesquisa de mercado e o jornal New York Times deu uma grande destaque à metrossexualidade, difundindo amplamente o termo.

O aparecimento recente deste termo está ligado à alteração de comportamento do sexo masculino no final do século 20. Tal como as mulheres, os homens começaram a folhear as revistas masculinas para saber o que está ou não na moda. Deixaram de cortar o cabelo no barbeiro e passaram a freqüentar com mais assiduidade os institutos de beleza. Têm cuidados com a pele e sentem-se menos embaraçados para entrar numa perfumaria e adquirir cosméticos para si.

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