Dados do Ministério da Saúde referentes a 2005 apontam que, anualmente, há 400 mil internações de crianças menores de 5 anos por pneumonia no Brasil, sendo 4.000 mortes por ano desta doença. Para um universo de quase 190 milhões de habitantes, parece pouco, mas se levar em consideração que a doença tem tratamento simples e eficaz os números preocupam.
A informação de que nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o índice de casos de doenças pneumocócicas é de cinco a dez vezes maior do que nos países desenvolvidos reforça ainda mais a preocupação. “Nos últimos 25 anos, as pneumonias foram responsáveis por 12% das mortes no País”, aponta o médico Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, professor assistente de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
A maior incidência de casos, no entanto, ocorre nesta época do ano, quando o clima está mais seco, favorecendo a proliferação de doenças respiratórias. O médico pneumologista Carlos Eduardo Sacomandi aponta que a incidência de casos é ainda maior no inverno.
Ele explica que as pneumonias podem ser causadas por vírus, fungos e bactérias. São elas, aliás, que respondem por 60% dos casos e, desse total, a maioria foi originada pelo pneumococo. Segundo Sacomandi, o pneumococo tem vários sorotipos, que são formas diferentes de uma mesma bactéria. “Há uma mutação. De uma mesma bactéria, vão se formando diversos sorotipos”, explica.
De acordo com o pneumologista, há dois tipos de pneumonia: aquela adquirido em ambiente hospitalar, considerada mais grave porque o paciente já está com o sistema imunológico enfraquecido, e a pneumonia adquirida em casa, na comunidade, mais freqüente e mais fácil de tratar.
O tratamento para pneumonia é feito através de antibióticos. Segundo Sacomandi, pelo sintoma é possível ao médico detectar que bactéria causou a enfermidade, ou seja, ele trata empiricamente, sem a necessidade de saber qual é o agente causador. “Existe um protocolo que as sociedades de pneumologia orientam os médicos a tratar com esses tipos de antibióticos. E esses antibióticos curam de 95% a 98% dos casos”, afirma.
O antibiótico é capaz de curar até mesmo casos mais graves de pneumonia. Em outros, pode ser necessário fazer a identificação da bactéria, isolando-a, para saber qual a melhor forma de tratar a doença.
Um erro comum, de acordo com Sacomandi e com o também pneumologista José Eduardo Bergami Antunes, é a pessoa confundir a pneumonia com uma gripe forte, e se automedicar. Essa automedicação pode até melhorar os sintomas, mas não vai curar a pneumonia e pode agravar a doença.
Apesar de divergências sobre o ar-condicionado, o fato do ar ficar muito seco em ambientes climatizados facilita a infecção por vírus e bactérias. Resfriados mal cuidados e mudanças bruscas de temperatura também contribuem para o surgimento do problema.
Os casos de pneumonia são mais comuns nos extremos de faixa etária, ou seja, em crianças menores de 5 anos e em idosos com mais de 65 anos. Antunes aponta que este ‘grupo de risco’ da pneumonia está mais propenso à doença por conta do sistema imunológico em formação, no caso das crianças, e enfraquecido, no caso dos idosos.
Além desses casos, é importante observar que a pneumonia pode ser contraída mais facilmente por pessoas que tenham bronquite, asma, diabetes, além de fumantes e alcoólatras. Há também os fatores de risco. O cigarro, por exemplo, provoca reação inflamatória que facilita a penetração de agentes infecciosos. O álcool interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório.
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Sintomas
A pneumonia bacteriana clássica começa abruptamente, com febre, calafrios, dor no tórax e tosse com catarro amarelado ou esverdeado, que pode ter um pouco de sangue misturado à secreção. A tosse pode ser seca no início. A respiração pode ficar mais curta e dolorosa, a pessoa pode ter falta de ar e em torno dos lábios a coloração da pele pode ficar azulada, nos casos mais graves.
Em idosos, a confusão mental pode ser um sintoma freqüente, além da piora do estado geral (fraqueza, perda do apetite e desânimo, por exemplo). Nas crianças, os sintomas podem ser vagos (diminuição do apetite, choro, febre).
Outra alteração que pode ocorrer é o surgimento de lesões de herpes nos lábios, porque o sistema imunológico está debilitado. Em alguns casos, pode ocorrer dor abdominal, vômitos, náuseas e sintomas do trato respiratório superior, como dor de garganta, espirros, coriza e dor de cabeça.
Como a pneumonia freqüentemente ocorre após um resfriado ou gripe comuns, deve-se estar atento ao prolongamento dos sintomas por mais de uma semana a dez dias, e procurar um médico sempre que estiverem presentes os sintomas da pneumonia.
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Meningite bacteriana
Além da pneumonia, o médico Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, professor assistente de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, aponta que o pneumococo pode provocar outras doenças respiratórias. Entre elas está a meningite bacteriana, que entre 1983 a 2003 resultou na notificação de mais de 29 mil casos no Brasil, com 8.554 óbitos. “Os coeficientes de incidência de meningite por pneumococo na população brasileira são de 1 a 1,5 por 100 mil habitantes”, afirma Sáfadi.
No Estado de São Paulo, foram registrados 423 casos de meningite pneumocócica em 2005, com 143 óbitos (uma letalidade acima de 34%). Os coeficientes de incidência em crianças menores de 5 anos são mais altos em comparação com as demais faixas etárias da população, chegando, em 2005, a 14 por 100 mil em menores de 1 ano.
O médico aponta que, em estudo realizado em um hospital de São Paulo, com acompanhamento de 55 crianças com meningite por pneumococo, a letalidade encontrada foi de 20%, com a maioria dos casos em crianças menores de 1 ano. “Em 40% das crianças observamos seqüelas neurológicas e em 60% delas algum grau de deficiência auditiva, comprovando a elevada morbidade da meningite pneumocócica”, destaca Sáfadi.