O prefeito Tuga Angerami encaminhou ofício, no último dia 12, ao cônsul geral da Rússia em São Paulo, Igor Morozov, solicitando a doação para Bauru da cápsula Soyuz 12 (TMA-8), equipamento utilizado para levar à Estação Espacial Internacional (ISS) o primeiro astronauta brasileiro, o bauruense Marcos Pontes.
No documento, Angerami ressalta o fato de Bauru ser a terra natal de Pontes e informa a Morozov que o câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) já manifestou a disponibilidade para receber o equipamento e instalá-lo no Observatório Astronômico no Centro de Divulgação e Memória da Ciência e Tecnologia. A cápsula seria colocada para visitação pública.
“Este nosso pleito simbolizará a cooperação russo-brasileira na exploração espacial”, destaca o chefe do Executivo bauruense. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o Consulado Geral da Rússia ainda não se manifestou sobre o pedido, cuja idéia nasceu em uma reunião realizada no início de 2007 entre Angerami, o vereador Primo Mangialardo (PV), representantes da Unesp e o próprio Marcos Pontes.
Apesar do cônsul ainda não ter se manifestado a respeito, Mangialardo informou que um deputado federal do PV, Sérgio Nechar, já conversou com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e este teria garantido que, tão logo o consulado aceite a solicitação, o governo brasileiro se encarregaria de transportar a cápsula até o Brasil.
“O Memorial Aeroespacial de São José dos Campos também solicitou uma para o seu acervo. Com isso, a idéia é aproveitar essa carona e trazer também a bauruense até o País”, ressaltou o parlamentar verde.
Mangialardo adiantou, ainda, que em breve ele, o secretário municipal de Desenvolvimento, Wallace Sampaio, e o astronauta Marcos Pontes deverão dirigir-se ao Consulado Geral da Rússia em São Paulo para reforçarem pessoalmente a solicitação a Morozov. “Só estamos dependendo da agenda do Pontes, que deve chegar na próxima semana dos Estados Unidos, a fim de marcarmos uma data para ir ao Consulado, o que deverá ocorrer brevemente”, enfatizou o vereador.
As cápsulas estão na Rússia, que comandou a missão espacial integrada por Pontes. O Memorial Aeroespacial Brasileiro, localizado em São José dos Campos no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), foi o primeiro a tomar a iniciativa de pedir uma das cápsulas para colocá-la no museu.
O cônsul da Rússia no Brasil já visitou as instalações naquela cidade e aceitou a solicitação. Sendo assim, a cápsula usada por Pontes para sair da Estação Espacial e pousar na Rússia, no deserto do Cazaquistão, irá para lá. Bauru ficaria com a cápsula TMA-8, usada por ele para chegar até a estação.
Depois que a cápsula foi usada por Pontes para chegar à ISS, ela ficou por lá por mais seis meses. Em setembro do ano passado, foi usada por astronautas para retornarem à Terra e, desde então, permanece na Rússia.
A cápsula fazia parte da nave Soyuz, que era composta de três módulos - orbital, de descida e instrumentação/propulsão. Mas somente o módulo intermediário, no qual viajam os tripulantes, chegou à Terra. Os outros dois foram descartados antes da reentrada na atmosfera terrestre.
A peça pesa cerca de sete toneladas, tem 2,8 metros de altura e 2,6 metros de diâmetro. De forma ovalada, tem capacidade para abrigar três pessoas. Na viagem, Pontes teve o russo Pavel Vinogradov e o americano Jeffrey Williams como companheiros.
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Iniciativa
Em Bauru, a idéia é que a cápsula fique no observatório que será instalado em um prédio cedido pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), localizado na quadra 14 da avenida Luiz Edmundo Coube. Em entrevista concedida ao JC sobre o assunto no início do ano, o astronauta brasileiro Marcos Pontes disse acreditar que o transporte da cápsula até Bauru não será problema. “Ela poderia ser trazida por um avião da Força Aérea Brasileira. O mais importante é a iniciativa pública da prefeitura junto com a universidade para pedi-la ao Consulado Russo”, declarou Pontes na época.
Na ocasião, Pontes ressaltou também que Bauru tem sua história ligada à aviação e a cápsula ajudaria a enriquecê-la. “Ter em Bauru um objeto (a cápsula) ligado à aviação e ao espaço pode motivar a educação científica.”