São Paulo - A Polícia Federal (PF) informou ontem que abriu inquérito para ouvir três policiais civis suspeitos de terem vazado informações sobre as investigações da Operação Têmis - nome da deusa grega da Justiça- deflagrada na sexta passada contra uma suposta quadrilha especializada na venda de sentenças judiciais para beneficiar bingos e empresas interessadas em créditos tributários.
Na sexta, a PF realizou buscas e apreensões nas casas e escritórios de três desembargadores (Roberto Haddad, Alda Bastos e Nery da Costa Júnior), dois juízes (Maria Cristina Cukierkorn e Djalma Moreira Gomes), uma funcionária da Receita Federal e um procurador da Fazenda Nacional (Sérgio Ayala).
De acordo com as investigações da PF, essa quadrilha pagava uma mensalidade de R$ 20 mil a R$ 30 mil em troca de sentenças favoráveis de desembargadores e juízes, além da facilitação aos créditos tributários por parte da funcionária da Receita Federal. O esquema contaria ainda com a participação de policiais civis.
Segundo a PF, a corregedoria da Polícia Civil já está sabendo do inquérito, mas ainda não foi comunicada formalmente. Depois dessa comunicação, os policiais civis serão notificados oficialmente. Os delegados responsáveis pelo inquérito, Alessandro Moretti e Luiz Roberto Ungaretti Godoy, ainda vão decidir se também vão ouvir o funcionário da Telefônica -outro suspeito de passar informações da operação para policiais civis.
Na sexta-feira, a PF informou que houve vazamento de informações sobre a operação desencadeada. As investigações - que resultaram no cumprimento de cerca de 70 mandados de busca e apreensão nas casas de 43 pessoas - ocorriam há quase um ano.
“Há um mês houve vazamento de informações”, disse o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Geraldo José de Araújo. Segundo ele, o vazamento dessas informações atrapalhou as investigações. “Isso atrapalhou muito. Algumas provas desapareceram.”