Articulistas

O apagão da segurança


| Tempo de leitura: 2 min

A falta de investimentos em equipamentos, métodos e salários, que levou os controladores de tráfego a promover o chamado “apagão aéreo” e detonar a maior crise militar dos últimos 40 anos, não se restringe àquele setor. As polícias estaduais vivem um dilema ainda pior. Não dispõem de frota, armamento e nem de efetivo suficiente para sua grande tarefa e, além disso, seus integrantes amargam os mais baixos salários da história.

Os oficiais da Polícia Militar paulista, por exemplo, tiveram apenas 29% de reajuste de abril de 1995 até hoje, para uma inflação de 150%, e os praças são iludidos com abonos que não se incorporam à estrutura salarial; e, além disso, com o Auxilio Operacional de Localidade, o governo criou policiais de diferentes classes numa instituição onde a unidade é, historicamente, o maior patrimônio. Os mais prejudicados são os policiais do interior. Mercê desse quadro, os policiais são obrigados a empregar suas horas de folga no “bico” para poderem manter suas famílias.

O resultado é catastrófico. Quartéis, postos policiais e viaturas operados por homens e mulheres extenuados pela jornada dupla, e desmotivados. Uma apatia que se amplia quando verificamos que o salário de um soldado paulista não chega a R$ 2 mil mensais, e os policiais federais – inclusive os rodoviários –, com funções idênticas aos estaduais, são admitidos com R$ 7 mil mensais, valor que a maioria dos nossos oficiais superiores não chega a receber nem depois de 30 anos de serviço, muito menos os praças.

O governador José Serra, que tem manifestado o desejo de corrigir a grade salarial do Estado, deveria ver e resolver essas distorções antes que nossas polícias - mesmo sem desobediência, motins ou insubordinação - caiam de vez no “apagão” da apatia, do cansaço e até da desnutrição de seus componentes. Se isto vier a acontecer, o caos terá se completado!

O autor, Dirceu Cardoso Gonçalves, é tenente e presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo

Comentários

Comentários