O que são R$ 80 mil para um Orçamento Municipal de R$ 252 milhões? Na lata, a quantia representa cerca de 0,032% do que a Prefeitura teria para o ano de 2007. Pensando ainda que esse montante poderia ser parcelado, a quantia, no máximo, arranharia os cofres públicos, sem maiores danos. Pois é este valor, R$ 80 mil, que impede o conserto dos quatro motores que movimentam o ar-condicionado do Teatro Municipal e deixa a platéia em bicas de suor.
Na verdade, nem seria preciso o reparo dos quatro motores, mesmo porque não há notícia de que os quatro assim, juntos, tenham funcionado um dia. No projeto inicial, o aparelho deveria refrigerar todo o Centro Cultural; os dutos interrompidos, que ligam o nada a lugar algum, são prova disso.
As ligações nos dutos não foram feitas para a inauguração do teatro, em 2000. “Parece que a empresa responsável não recebeu o pagamento da Prefeitura e interrompeu as obras”, explica o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre.
Se apenas um motor funcionasse – dois para efeito de reserva – já seria possível refrigerar o Teatro Municipal e o auditório do Centro Cultural, mas, atualmente todos estão quebrados. Na verdade, desde o dia 2 de abril, o ar-condicionado não funciona. “Ainda bem que fizemos uma compra de ventiladores, o que amenizou o calor para as apresentações (do espetáculo ‘As Mentiras que os Homens Contam’) deste final de semana”, conta Vinagre.
Atitude
Ao assumir a gestão da Cultura, em 2005, Vinagre se deparou com a seguinte situação referente à refrigeração do local: “Apenas um motor estava funcionando. Outro estava queimado e outros dois desaparecidos”, relata o secretário. Os desaparecidos foram depois encontrados em uma loja de Ibitinga, em uma reforma que nunca foi realizada, e atualmente se encontram no chão de uma sala do Centro Cultural à espera do prometido conserto.
Dois anos se passaram e pouca coisa foi feita. É fato que a umidade responsável por enferrujar partes do aparelho foi amenizada com a construção de um duto de ventilação, em 2005, avaliado em R$ 2 mil pelo secretário. Uma limpeza realizada no meio do ano passado também retirou cerca de 30 quilos de sujeira do sistema, quantia acumulada por anos e inalada por atores e platéia. “Foi a primeira limpeza pela qual passou o ar-condicionado”, salienta Vinagre. O trabalho foi gratuito, doação de uma empresa da cidade.
Somente em 2007, o sistema passou por dois reparos, o último em andamento, em que dois motores foram encaminhados a uma loja especializada para serem reparados até o final desta semana ao preço de R$ 8 mil. A reforma não será suficiente para garantir o total funcionamento do sistema.
“Os compressores (motores) são apenas uma parte do sistema, que possui dutos, ventiladores, bombas de água, quadro de energia das bombas, torres de refrigeração e todo um sistema de fiações, ligações e cabos”, cita um relatório da SMC sobre o funcionamento do aparelho. Vinagre salienta a necessidade de uma manutenção mensal, que deve entrar em licitação. “O serviço custaria cerca de R$ 1,5 mil”, diz.
Para o conserto definitivo do sistema, algo estimado em R$ 80 mil, a administração estuda a abertura de nova licitação. “Estamos levantando orçamentos”, diz Vinagre. O secretário espera que as obras tenham início em julho, mês em que o teatro interrompe as atividades para manutenção. Mas, nas considerações finais do relatório, a licitação nem sequer é citada: “A partir da observação do nosso sistema, seu preço, seu consumo de energia e o custo de manutenção, cremos que seria interessante observarmos a viabilidade de troca deste sistema por um mais moderno”, diz o texto.