A Força Tática vai mudar de perfil em Bauru. Com o argumento de torná-la mais integrada à comunidade, o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), com sede em Bauru, o tenente-coronel Pedro Batista Lamoso, iniciou nesta semana a substituição gradativa dos 80 policiais que compõem a equipe. De acordo com o comandante, a iniciativa já estava prevista, mas foi antecipada. Um dos motivos, segundo ele, foi a morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, em confronto com policiais, caso que está sendo apurado nos âmbitos civil e militar. Porém as alterações estão gerando descontentamento entre muitos policiais.
Até o final desse semestre, Lamoso diz que espera adequar a Força Tática, que faz parte da 7.ª Companhia da PM, a uma nova filosofia. Assim como as outras três companhias da PM de Bauru, a Força Tática deverá interagir mais com a comunidade, além de permanecer atualizada com as tecnologias de policiamento, diz ele. “Instrumentos como o Copom on-line, Infocrim e Infoseg”, enumera o comandante, citando programas de troca de informações e planejamento policial.
Lamosoaponta ainda que a visão moderna da PM, que começou a ser implantada em todo o Estado em 2004, busca privilegiar as unidades territoriais, como as companhias, e a sua convivência com a população. Para adequar a Força Tática a essa política de atuação, o comandante está promovendo a renovação da equipe.
Ele nega que as mudanças vão enfraquecer a companhia, já que todos os policiais receberão o treinamento para desempenhar as novas funções. A falta de experiência dos novos policiais que deverão começar a trabalhar é um dos questionamentos dos policiais descontentes com as alterações. De acordo com Lamoso, para que todos os novos policiais do Tático possam ter o treinamento necessário, a renovação deverá ser gradativa. “E todos os policiais que atuavam na Força Tática vão permanecer em Bauru. Portanto, se houver algum distúrbio civil, eles poderão auxiliar”, informa.
Desde o início da semana, policiais estão deixando o Tático e assumindo postos nas bases comunitárias. Os tenentes Renato Ramos e Gustavo Xavier, que comandam a Força Tática, vão assumir a Base Sul e a Base Centro, respectivamente. Para seus lugares, Lamoso designou os tenentes Bruno Mandaliti Scarp e Alexandre Moratto Tercioti. Os oficiais deverão assumir suas novas posições a partir da próxima terça-feira.
Atuação
O tenente-coronel Lamoso explica que entre os seis programas de policiamento - a Radiopatrulha, o Integrado, a Comunitária, a Ronda Escolar, a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) e a Força Tática - alguns, como a Radiopatrulha, que atende o serviço telefônico de emergência (190), existem em todas as cidades de São Paulo. Já outros atendem um grupo maior da população.
A Força Tática, que é uma equipe reforçada de policiais, treinados para ações de policiamento ostensivo e de preservação, atua em cidades maiores. Os policiais da Força Tática combatem crimes violentos, controle de tumulto e trabalham como força de choque, para combater rebeliões, por exemplo.
Durante entrevista ao Jornal da Cidade, Lamoso também informou que para manter os índices criminais de Bauru entre os melhores do Estado, o 4.º Batalhão é gerenciado como uma empresa. “A posição é considerar o crime não apenas como um efeito de questões socais, mas como um defeito administrativo. E para sanar esse problema, é preciso ter eficácia. Saber, com eficiência, onde direcionar o policiamento”, avalia.
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Novos comandantes
A indicação de oficias relativamente novos para o comando da unidade também gerou críticas. Tanto para Bruno Mandaliti quanto para Alexandre Tercioti, assumir a 7.ª Companhia, foi o reconhecimento de um bom trabalho realizado nas bases que comandavam. “Recebemos um voto de confiança do comandante Lamoso. Como jovens oficias, temos essa nova visão de polícia, que é mais comunitária, que faz o contato corpo a corpo com a população. E isso facilitará a implantação do novo conceito na Força Tática”, observa Mandaliti.
Para Tercioti, experiência vem da sua atuação em duas bases comunitárias, a Leste a Sul. “A Força Tática de Bauru é um espelho para as outras do Estado. E ser designado par ao comando é o reconhecimento do nosso trabalho”, avalia. Para os dois oficias, a renovação de policiais vai proporcionar troca de experiência entre os que atuavam no Tático e os que estão na base.
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Descontentamento
Apesar de afirmar que os policiais que vão deixar de fazer parte da 7ª Companhias da PM estão compreendendo os motivos da readequação, muitos procuraram o Jornal da Cidade para demonstrar, em off, o descontentamento com a iniciativa.
Apesar de terem treinamento especial, enfrentarem situações de grande risco, policiais do Tático não ganham salário maior que um colega que atua em Base Comunitária. “Muitos ainda investem dinheiro do próprio bolso em cursos”, disse um policial, que preferiu não se identificar.
Outro questionamento feito pelos policiais é quanto ao momento escolhido pelo comando para a renovação da unidade. Há um ano, membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, orquestravam ações violentas em todo o Estado.
Há ainda um outro fator levantado pelos policiais que procuraram o JC. O caso da morte do mecânico Jorge Lourenço, um dos gatilhos para renovação da Força Tática, poderia dificultar a promoção do tenente-coronel Lamoso, a coronel, Por isso, ele teria efetuado a troca de policiais do Tático para não prejudicar sua carreira.
Lamoso foi enfático em dizer que não existe essa relação, já que a promoção depende de vários fatores. “A promoção depende de vagas, de habilitação para o cargo. E eu estou habilitado, por ter graduação no Curso Superior de Polícia”, explica.