O secretário executivo- adjunto do Ministério da Educação (MEC), André Lázaro, afirmou ontem, durante entrevista no Fórum Permanente da Educação Superior, realizado na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP), que com a presença das maiores universidades públicas do País na cidade, Bauru deveria ter se saído melhor no ranking escolar do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). De 1 a 10, a cidade teve nota 4,5.
Bauru, apesar de abrigar dez instituições de ensino superior – entre elas, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a USP, duas das principais universidades públicas do País – não configura entre os 50 melhores municípios do Brasil. Para Lázaro, isso se deve ao período de abandono do ensino básico e aponta como solução, debates como o promovido pelo fórum. “O que aconteceu com o ensino básico? Quem podia, tirou o filho da escola pública e colocou na privada. A escola pública ficou para filhos de uma geração que não teve acesso a ela. Então, essa geração achou que bastava ter escola para aprender”, pondera o secretário.
O descompasso entre escola e família também é apontado por Lázaro. “Grande parte das famílias brasileiras liderada por mulheres, que trabalham, que não têm ambiente em casa para acompanhar os estudos dos filhos. E essa realidade se impôs, mas como era de pouca expressão política, pouco importou. Esse fórum que não está preocupado com a educação dos melhores, mas com a educação de todos é importante para mudar isso”, avalia.
Para Lázaro, é possível melhorar o resultado do ranking de todo o País em 15 anos, meta estipulada com o lançamento das medidas para a educação no Brasil. “Daqui 15 anos, a gente pode melhorar nosso indicadores em 50%. Porque é possível? Acho que há uma consciência maior da sociedade como um todo na relação do papel da educação. O que estamos construindo é um consenso forte do valor de aprender”, observa.
Segundo o secretário, uma inovação promovida pelas medidas, é uma mudança de atitude do ministério, que pretende deslocar recursos e técnicas aos locais problemáticos. “Ao invés de esperar as pessoas buscarem solução, estamos indo discutir quais são e vamos oferecer apoio técnico e financeiro”.
Interesse
Para a secretária municipal de Educação, Ana Maria Daiben, as universidades de Bauru demonstraram interesse em contribuir com a melhoria do ensino na cidade, ao eleger o ensino básico como tema do fórum.
“Universidades que poderiam competir uma com a outra, deram as mãos e estão debatendo a educação básica. Ao invés de se encastelar como a ponta da pirâmide educacional, estão discutindo formas de melhorar a base”, avalia Daiben.
O simpósio “A relação ensino básico e a inclusão universitária” começou anteontem e foi encerrado na tarde de ontem, após debate e discussão de propostas para educação por professores e participantes.
A promoção do evento é do Fórum Permanente da Educação Superior de Bauru, integrado pela USP, Unesp, Universidade do Sagrado Coração (USC), Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb), Faculdade Fênix, Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Universidade Paulista (Unip) e Instituição Toledo de Ensino (ITE).