Brasília - Os bens importados darão uma contribuição maior para a estabilidade de preços no País do que o imaginado anteriormente. Esse fator foi a justificativa de três membros do Comitê de Política Monetária (Copom) para optarem por um corte de meio ponto percentual na taxa básica de juros. No entanto, o voto deles foi vencido por outros quatro, que defenderam que os cortes já feitos ainda não surtiram total efeito na economia e, por isso, o ritmo de redução deveria ser mantido em 0,25 ponto, para 12,5% ao ano.
“Participantes do Copom argumentaram que se acumulam sinais de que a contribuição das importações, por meio da disciplina exercida sobre os preços de bens transacionáveis em ambiente de demanda robusta, para a consolidação de um cenário benigno para a inflação no horizonte de projeção, poderá ser maior do que a inicialmente contemplada”, relata a última reunião, divulgada ontem.
As importações são benéficas para a estabilidade de preços porque aumentam a oferta de bens e serviços no País. O aumento da oferta evita aumento de preços, mesmo com a economia aquecida. Além disso, a queda do dólar em relação ao real barateia o preço dos importados no mercado interno. Esse argumento não foi suficiente para convencer os outros quatro membros de que era possível acelerar o ritmo do processo de redução dos juros, iniciado em setembro de 2005, quando a Selic foi reduzida de 19,75% ao ano para 19,5%.
Nas últimas reuniões, o Copom tem repetido que a defasagem entre a redução dos juros e seu efeito na economia exige que a política monetária seja conduzida com “parcimônia”.
Gasolina
O Copom espera que o preço da gasolina não sofra reajuste no acumulado deste ano. A previsão é a mesma para o gás de cozinha (botijão de gás). A manutenção ocorre mesmo com a alta volatilidade registrada nos preços do petróleo no mercado internacional, que apresentou elevação na semana da última reunião do Copom, que reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 12,75% para 12,5% ao ano. “Essa tendência altista no curto prazo está ligada, sobretudo, a novos episódios de incerteza geopolítica.
A despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo, permanece plausível o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2007'’, diz a ata da reunião, divulgada ontem. Na semana passada, o barril de petróleo era negociado no mercado norte-americano em torno de US$ 63. Já em Londres, era cotado a cerca de US$ 65.
Demais previsões
Para as tarifas de energia elétrica, a previsão de aumento de preços foi reduzida de 3,3% para 2,2% no acumulado de 2007. O Copom espera ainda que os preços da telefonia fixa tenham um reajuste de 3,4%, antes os 3,9% previstos na ata da reunião anterior, realizada em março. A expectativa em relação ao conjunto de preços administrados passou de em 4,5% para 4,2%. Para 2008, a previsão é de 5,2%, ante 5,6%.