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Um adeus ao sol

Por Marco Aurélio Canônico | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Vasto e largamente inexplorado na vida real, o espaço sideral parece já ter sido esgotado quando visto nas telas. “Sunshine - Alerta Solar”, filme do britânico Danny Boyle que estréia hoje no Cine’N Fun do Alameda Quality Center, é mais um testemunho da dificuldade de criar roteiros e imagens originais em um cenário espacial.

“Até habitarmos o espaço, será sempre esse corredor estreito”, disse Boyle durante a pré-estréia do filme, na qual a reportagem esteve presente, no National Film Institute, em Londres. “Você segue nele, tentando fazer um filme, e sabe que vai fazer referências aos clássicos, não há como escapar, dá para senti-los ao seu redor.”

Os clássicos, no caso, são filmes como “2001 - Uma Odisséia no Espaço” (1968), de Stanley Kubrick, “Solaris” (1972), de Andrei Tarkovski, e “Alien” (1979), de Ridley Scott. Todos encaixam-se, assim como “Sunshine”, no ramo da ficção científica que Boyle define como “uma nave, uma tripulação, um sinal do espaço”. Não que o diretor tenha abdicado de tentar idéias menos rodadas - a principal delas, tornar o Sol o personagem central.

No filme, temos um futuro não tão distante em que nossa estrela principal está esfriando e, conseqüentemente, ameaçando toda a vida na Terra. Uma tripulação arquetípica (o capitão nobre e corajoso, o herói esquentadinho, o gênio fracote, etc.) é enviada rumo ao Sol para tentar reanimá-lo com uma bomba nuclear. No caminho, os seis homens e duas mulheres vão enfrentar conflitos internos causados pelo longo isolamento e descobrirão que outra nave, que já havia fracassado na mesma missão, não teve o fim que se pensava.

Peça de câmara

O diretor descreve sua terceira parceria com o escritor e roteirista Alex Garland como “uma peça de câmara”. “É um drama humano, confinado em um espaço grandioso. Alex gosta de pôr os personagens em situações de pressão mental, e eu adoro criar situações extremas na tela.” “Sunshine” representa também a primeira vez que Boyle, célebre por filmes de baixo orçamento como “Cova Rasa” e “Trainspotting”, lida com efeitos especiais de grande porte.

O diretor lembra que já havia declinado estrear no gênero antes, recusando a direção de “Alien 4” por achar que não saberia lidar com tais efeitos. Graças ao crédito obtido junto aos estúdios com o sucesso de “Extermínio” (2002) - sua recriação dos filmes de zumbis -, o diretor pôde fazer um filme “mais ambicioso”, ainda que com um orçamento relativamente baixo para os padrões dos “blockbusters” (US$ 40 milhões, cerca de R$ 81 milhões).

Mas as impecáveis imagens do Sol e da nave mostram que o dinheiro e os 12 meses gastos na pós-produção, com o trabalho do 3 Mills Studios, foram bem aplicados.

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