Quito - O governo do Equador ofereceu ontem garantias à oposição para tentar resolver a polêmica internacional desatada pela fuga para a Colômbia de ao menos 11 deputados que afirmam ser “perseguidos políticos”, na mais nova crise envolvendo o Legislativo.
Em Bogotá, os deputados afirmaram que levarão o caso aos Estados Unidos e só voltarão ao Equador depois que a Justiça decidir sobre o pedido de prisão por “sedição” feito por uma promotora contra 24 dos 51 deputados beneficiários de uma decisão do Tribunal Constitucional (TC) que há quatro dias lhes devolveu os mandatos, cassados no início de março.
Os congressistas, todos da oposição ao presidente Rafael Correa, haviam sido destituídos pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) sob a acusação de obstruir a organização do referendo sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte, realizado no último dia 15.
Em períodos eleitorais, o TSE é a autoridade máxima no país. “Estamos em Bogotá organizando nossa estratégia política e legal. Já estão prontas as comissões que viajarão para dizer ao mundo que somos perseguidos políticos e que a democracia no Equador ruiu”, afirmou a deputada Silka Sánchez. O ministro do Interior, Gustavo Larrea, assegurou que o governo equatoriano respeita a divisão de poderes e “não quer uma disputa com a oposição”.
“Nós não perseguimos os deputados, eles querem ir presos porque acreditam que dessa forma podem fazer oposição. Não há nenhum preso político”, afirmou o ministro.
Larrea insistiu que o Executivo se opõe à prisão dos políticos e negou as denúncias de concentração de poder por parte do presidente, que completou cem dias de governo com uma popularidade de 76%, segundo pesquisas. Os deputados estão pedindo proteção ao governo colombiano. Ontem, eles voltaram a negar que tenham pedido asilo político, mas disseram que conversaram sobre um “possível asilo no futuro”, caso a situação piore.