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‘Já dei tiro, mas não sei se matei’

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

“Eu estava na chamada ‘vida louca’, do crime e das drogas, procurei ajuda e estou voltando à vida.” Maurício Duran, 26 anos, saiu de Agudos e mora há nove dias no Esquadrão da Vida, entidade de Bauru que recupera dependentes químicos. “Já dei tiro, não sei se matei e não fui preso porque fugi”, conta Duran, que revela ter começado a usar drogas com 16 anos, por influência dos amigos, tendo experimentado ou utilizado com freqüência maconha, crack, cocaína, cogumelo, entre outros entorpecentes.

Nitidamente feliz, ele conta um pouco da sua experiência com drogas e crime organizado e revela a intenção de seguir os passos do monitor do projeto, Sérgio Luis Pinheiro, que foi dependente químico durante 21 anos e atualmente auxilia pessoas a sair da situação em que se encontravam no passado. Ele decidiu procurar auxílio para se livrar das drogas ao perceber o mal que fazia à sua família.

“Estava sofrendo pressão de criminosos para fazer parte do crime organizado, pessoas ligavam em casa me ameaçando, ameaçando meus pais. Foi aí que decidi”, conta. “Antes eu andava sempre de cabeça baixa, com sensação de peso. Hoje parece que ando nas nuvens e não tenho vergonha de mostrar meu rosto”, completa.

Duran teve a oportunidade de sair pela primeira vez da moradia dos internos ontem. Ele participou de uma atividade de reintegração junto com cerca de outros 30 internos, que visitaram o Museu Ferroviário, passearam de Maria Fumaça e fizeram um lanche, com apoio do McDonald’s, Habib’s, supermercado Barracão e Aleixo Veículos.

Passeio

O rapaz ganhou o direito de ir para a rua depois de ter passado para a segunda etapa do tratamento em apenas oito dias, quando o normal seriam 15. “Não posso cuspir para cima, porque pode voltar, mas pretendo cumprir os sete meses de tratamento e penso em continuar na casa para ajudar as próximas pessoas que chegarem”, planeja.

Ele se espelha no exemplo de Pinheiro, seu monitor durante o tratamento, que começou a usar drogas também aos 16 anos, por influência de amigos, e só conseguiu se livrar do vício aos 37 anos, no Esquadrão da Vida. “Com 21 anos consumindo crack, cola, cocaína e até tíner, perdi a capacidade de raciocínio e fiquei vulnerável. Não tinha mais capacidade de compreender a vida, entrei em depressão profunda e perdi o prazer de viver”, revela.

Para Pinheiro, só um trabalho de fortalecimento interior pode fazer o dependente passar a ver o mundo de outra forma. “Só trabalhando a alma, com o auxílio de Deus, a liberdade se torna possível”, acredita o homem que passou pelos sete meses de tratamento do Esquadrão e decidiu se tornar monitor, ajudando os novos colegas à procura de tratamento.

Quanto ao futuro de Maurício, o monitor emite uma opinião. “Ele vai encontrar muitas dificuldades no decorrer do tratamento, mas está sendo preparado para enfrentá-las de frente e se tornar uma pessoa livre da influência negativa das drogas”, finaliza.

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