Política

Estado vai fundir pólos de pesquisa

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O novo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João de Almeida Sampaio Filho, disse ontem, em visita a Jaú, que vai realizar a fusão de alguns dos 15 pólos regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta). Criada em 2002 durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), a agência foi definida como o instrumento de fomento à pesquisa agrícola e de tecnologia de acordo com as vocações regionais.

Na visão de João Sampaio, a fusão dos pólos em estruturas mais enxutas vai promover melhor aproveitamento desses órgãos e otimizar os programas regionais. Natural de São Paulo e residente em Barretos (SP), o secretário esteve em Jaú, ontem, em visita à sede da fazenda Nova América, onde seus avós residiram. Ele não revelou quais regiões vão receber a fusão ou perder as instalações locais da Apta.

“As Aptas são importantes e o novo coordenador João Paulo Feijão já trabalha para tentar dinamizar. Alguns pólos serão fundidos com outros e estamos na fase de determinar quais. A pesquisa paulista de agronegócios é importante e vamos otimizar os pólos e as estruturas”, anuncia.

Crítico da política federal em relação a agricultura, João Sampaio, que foi presidente da Sociedade Rural Paulista, menciona que São Paulo deixou de ganhar US$ 1 bilhão em função dos embargos, sobretudo do mercado europeu, à carne brasileira.

Os últimos focos principais da febre aftosa, desta vez, foram localizados em Mato Grosso, e o governo federal indeniza os abates em função da doença. “O governo indeniza somente quando há o foco, e graças ao trabalho, São Paulo está há 11 anos sem o foco. O Estado tem de trabalhar para mitigar a perda por algo que não ocorreu aqui. É absurdo que São Paulo continue embargado com suas exportações para a União Européia e Chile, fundamentalmente”, opina.

Entretanto, o secretário de Estado diz que vai continuar conversando com o governo federal para que a ação contra os embargos diminuam. “Ainda são 50 países embargando nossa carne, apesar da gente não ter aftosa aqui no Estado. Estamos trabalhando internamente, aperfeiçoando a ação sanitária paulista e vamos investir na informatização de todo o nosso corredor sanitário. No âmbito externo tenho atuado junto ao Ministério da Agricultura em Brasília para que convença as autoridades internacionais a liberar o embargo”, completa.

Pensando nisso, João Sampaio vai participar da reunião plenária anual da Organização Internacional de Saúde Animal em Paris, França, a partir de 20 de maio próximo, para tentar “mostrar aos organismos internacionais que São Paulo não tem problemas com a aftosa há 11 anos e que eles visitem aqui para ver in loco nossos procedimentos para reabilitar o Estado à exportação de carne no segundo semestre”.

Cana x território

Pecuarista, o secretário estadual não acredita na expansão do plantio de cana-de-açúcar em solo paulista a ponto de concentrar o cultivo como uma espécie de monocultura. “A cana já ocupa 4,3 milhões de hectares do Estado e isso representa em torno de 17% da área paulista. A expansão é muito forte, mas não é capaz de instalar a monocultura como muitos têm alardeado. São Paulo é o maior Estado agrícola do Brasil e a cana representa 45% da renda agrícola do Estado, quase a metade. Mas não a ponto de uma monocultura”, opina.

Na visão de João Sampaio, o crescimento da cana vai atingir ponto de equilíbrio com outras áreas de produção, como a pecuária, ramo onde atua no setor privado com produção em São Paulo, Mato Grosso e Paraná. “O que a gente defende é que a cana possa ser consorciada, que ela possa ser utilizada para fazer integração com a pecuária para confinamento, aproveitar rebarbas para fruticultura e ovinocultura, reflorestamento, entre outros, além do álcool”, aborda.

Apesar da defesa da integração entre cana e pasto, por exemplo, o secretário vê o ciclo da primeira ainda em franca expansão pelos próximos anos. “É inevitável ainda pelos próximos quatro ou cinco anos a cana chegar a algo próximo de 6 milhões de hectares de plantio, área considerável no Estado. Mas acho que vai ser sustentável, aproveitando as outras culturas”, menciona.

Na região que vai desde Avaré, passando por Bauru e até Sorocaba, o secretário estadual acredita que já está ocorrendo a migração da cultura da laranja. “Sou do Norte do Estado, onde o forte era a citricultura. Veio diminuindo isso ao redor de Barretos e hoje até volta a crescer, mas migrando para outras regiões como Jaú, Avaré, Itapetininga e até Sorocaba. A cana cresce, mas junto convive com outras culturas”, aborda.

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O que é a APTA

A Apta Regional é formada por 34 Unidades de Pesquisa e Desenvolvimento divididos em 15 Pólos Regionais de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios, com 253 pesquisadores científicos. A criação dessas unidades, em 2002, veio para atender as demandas regionais do Estado de acordo com as características próprias de cada local.

Segundo o governo do Estado, a regionalização surgiu junto com a decisão de levar para o Interior instrumentos de geração de renda e trabalho. Os pólos regionais devem enfocar a região a partir da realidade local das cadeias de produção e suas potencialidades.

Essas unidades têm como finalidade gerar, adaptar e difundir conhecimentos e tecnologias para as cadeias de produção do agronegócio regional, bem como desenvolver e articular o atendimento da demanda de serviços e insumos estratégicos ao desenvolvimento. Entre as pesquisas desenvolvidas nos pólos está o boi orgânico, agricultura orgânica, truta salmonada e outros.

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