Para o casal Alcides e Teresa (nomes fictícios), a prisão da filha de 28 anos causou constrangimento no início. “Eu tinha vergonha de conversar com as pessoas sobre isso”, relembra a mãe.
Além da vergonha que sentiam fora de casa, na conversa com os vizinhos, os pais também sentiram os reflexos da prisão da filha dentro de casa. Como o genro também estava preso, os quatro netos tiveram de ficar com os avós. Com o marido doente, Teresa tem de se desdobrar para cuidar dele e ainda criar os netos.
Para ela, a situação complicou, mas para a filha parece ter melhorado.
Por se tratar de uma família carente, eles nunca tiveram uma mesa farta de alimentos. Ao contrário do que ocorria em casa, agora a filha tem o que comer todos os dias e não precisa trabalhar. “Ela está bonita, engordou. Dá para ver que ela está sendo bem tratada”, afirma a mãe.
“A gente só fica preocupado com rebelião”, revela o pai, que está doente, não pode trabalhar e, por isso, não tem como ajudar no sustento da família ou na compra de alimentos.
A esposa também não pode trabalhar porque tem de cuidar dos netos e do marido. Conclusão: a família não consegue engordar nem ficar bonita.