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‘Casais não cultivam paciência’

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 3 min

Para a terapeuta de casais e psicóloga Maria Regina Vanin, a busca pelo prazer imediato e a mudança de valores sociais são os grandes responsáveis pelos casamentos-relâmpago. “As pessoas não estão dispostas a cultivar a paciência e a tolerância que o casamento exige. É preciso que cada parte do casal esteja ciente de que o casamento é construído pelas duas partes, dia-a-dia”, diz.

Além disso, a idealização de um casamento perfeito geralmente cria dificuldades para lidar com as chamadas crises previsíveis, como o ‘luto da paixão’. Segundo a terapeuta, em parte dos casos não há um projeto de vida em comum, afeto ou carinho, apenas o furor da paixão e, quando ela acaba, o compromisso vai junto. Por outro lado, é preciso manter a vida individual, os interesses individuais.

Apesar dos problemas, Vanin crê que a sociedade vai chegar a um equilíbrio e que casamentos duradouros e felizes são possíveis. Para quem precisa de uma força na relação, a terapeuta dá algumas dicas: conversa, bom humor, cumplicidade e respeito são componentes de uma boa relação.

“Hoje em dia, é até mais fácil saber se você quer ou não casar com alguém. A possibilidade das pessoas se conhecerem na vida cotidiana é maior, já que é possível um casal viajar junto, conviver e até dividir uma casa antes de subir ao altar. É importante não criar ilusões e respeitar a individualidade, se não deu certo... Casamento também não precisa ser pela vida toda”, pontua Vanin.

Há mais de 100 anos, o filósofo alemão Friedrich Whillem Nietzsche escrevia: “O casamento é como uma longa conversa”. Ao iniciar um casamento, o homem deve se fazer a seguinte pergunta: Você acredita que gostará de conversar com esta mulher até na velhice? Tudo o mais no casamento é transitório, mas a maior parte do tempo é dedicada à conversa. Mesmo que, em tempos atuais, o casamento possa ser mais facilmente rompido, continua valendo a receita.

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Infinito enquanto dure

Mesmo em tempos de casamentos não tão duradouros, alguns casais chegam às bodas de ouro e até diamante, respectivamente representadas por 50 e 75 anos de união. “Eu tenho certeza que a paz, o amor e a harmonia em família fizeram com que, desde 1957, eu não tivesse dissabores na minha vida”, começa a contar Maria Amélia Franco Ricci, 69 anos, ex-doméstica. Dona Amélia está casada com “seo” Antônio Ricci, 72 anos, ex-ferroviário, há 50 anos. As bodas de ouro foram completadas no último dia 13, na Vila Falcão, em Bauru.

“Seo” Antônio acrescenta: “Respeito”. Os dois se olham com ternura, têm dois filhos e quatro netos, uma casa modesta e histórias felizes para contar. Se conheceram em uma viagem de trem, quando ele morava na fazenda Val de Palmas e ela em Bauru. Trocaram olhares, depois tornaram-se vizinhos e, com dois anos e meio de namoro, se casaram.

Antônio diz que para viver bem é preciso ser compreensivo e conversar. Além disso, diz Amélia, a independência da mulher só ajuda no casamento. Já são 50 anos juntos e bem vividos.

Pouco mais de seis anos foi a duração do casamento de Dalcimary Aparecida Pavani, 36 anos, advogada e professora. Mesmo tendo namorado por sete anos antes de trocar alianças, o casamento da advogada terminou. Segundo ela, os valores familiares e de vida eram muito diferentes, mesmo assim, Pavani e o então marido tentaram reatar, mas a reconciliação durou pouco.

A advogada, que tem dois filhos frutos desta união, comenta que ainda hoje existe preconceito. “Muitas pessoas julgam meus atos e a mim por eu ter me separado, e em muitos casos esse preconceito é refletido em meus filhos”, lamenta. Apesar de ter sido uma separação tranqüila, sem brigas, Pavani diz que a separação não deixa de ser um processo traumático, especialmente para os filhos.

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