JC Criança

Gotas cheias de esperança

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

“Água: sabendo usar não irá faltar”, “Água é vida! Preserve!”, “Terra, planeta água”. Frases como essa são fonte de inspiração para alunos do ensino fundamental da escola estadual Parque Jaraguá, que, desde o início do ano, estão se organizando em um único objetivo: discutir a importância da água na vida do ser humano e maneiras de se evitar o desperdício.

Para isso, realizam diversas atividades interativas, entre elas o projeto “Água, Cultura e Educação”, que contou com a participação das 12 classes da escola, totalizando cerca de 400 estudantes com idades entre 6 a 12 anos. Cada turma ficou responsável por elaborar suas próprias ações relacionadas ao tema por meio de desenhos, histórias em quadrinhos, textos informativos, poesias, músicas, cartazes, pesquisas, leitura de jornais e revistas, visitas a instituições e órgãos públicos.

Os alunos da 4.ª série A, por exemplo, analisaram várias matérias de jornal que traziam informações sobre rios e córregos do município, refletindo sobre a preocupante situação do abastecimento de água de Bauru e o que vem sendo feito pelas entidades responsáveis nos últimos dez anos.

A turma da 4.ª série A visitou a Organização Não-Governamental (ONG) Vidágua e também o Centro de Educação Ambiental do Departamento de Água e Esgoto (DAE), onde os alunos puderam acompanhar de perto o processo de tratamento e captação de água. Em sala de aula, as crianças fizeram textos e desenhos sobre como economizar água, aplicando os conceitos no dia-a-dia, aponta a professora Maria Angélica de Carvalho Fraga. Ela destaca que os alunos aprenderam a fazer a leitura do consumo mensal de água e a acompanhar o hidrômetro da própria casa. Esta atividade despertou curiosidade e interesse de toda a turma.

Marcos Vinícius da Silva Meirelles, 11 anos, da 4.ª série A, diz que por meio da leitura do hidrômetro dá para evitar possíveis vazamentos e, assim, não desperdiçar água. “Temos que dar valor para isto. A água doce é muito importante porque se ela faltar, não teremos mais condições de sobreviver”, diz.

As colegas de sala Letícia Marques Garcia Leal e Maiara Terrini Cirqueira, ambas com 10 anos, concordam. “Eu achava que poderia beber toda a água do mundo, agora que só a água doce é potável. E tem muito pouco no mundo”, aponta Maiara. Preocupada com o futuro do planeta, Letícia está tomando medidas para não desperdiçar água no seu cotidiano. “Não deixo a torneira aberta ou pingando e não demoro não banho. Antes eu ficava brincando debaixo do chuveiro”, revela.

Assim como ela, Ellen Bianca de Oliveira Afonso, 9 anos, da 4.ª série A, cortou alguns minutos do seu banho. “Eu sempre demorava no banho, ficava com a torneira aberta, brincando no chuveiro. Eu também fecho a torneira quando escovo os dentes”, diz. Além de economizar água no banho e na hora de escovar os dentes, Eliane Cardozo Silva, 10 anos, “fiscaliza” os irmãos mais velhos. “’Pego no pé’ para eles não demorarem no chuveiro”, conta.

Bárbara Luiz Batista, 10 anos, participou do projeto e se surpreendeu com o processo de tratamento de água. “Nós fomos ao DAE e achei tudo bem legal. Eu não sabia que a água passava por tantos processos para ficar limpinha”, diz.

Os estudantes da 3.ª série B também visitaram o DAE e aprenderam muitas coisas interessantes. “Sem água nós não viveremos. Por isso, não podemos poluir os rios, de onde vem a água”, diz Débora dos Santos Dantas, 9 anos. Larissa da Silva Lyria, 8 anos, reforça: “Não podemos jogar lixo nos rios e não desperdiçar água porque senão morreremos.” Seu colega de sala, Yan de Moura Santos, 9 anos, coloca em prática o que aprendeu com o projeto escolar. “Não jogo lixo no chão e não deixo a torneira da pia aberta. Procuro tomar banho em cinco minutos. Antes do trabalho fazia só metade dessas coisas”, confessa.

Os alunos Everton César de Oliveira, Eduardo Pereira Santana, Bruna Curibaba de Barros e Caroline Bernardes, todos com 9 anos e alunos da 3.ª série A, compartilham da mesma opinião dos colegas da 3.ª B. “Não podemos gastar muita água doce para ela não acabar”, diz Eduardo. “Por isso, devemos manter os rios limpos”, completa Everton. “Se a gente não esquecer a torneira pingando e tomar um banho menos demorado, já evita o desperdício”, observa.

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