Saúde

Limites entre saúde e estética

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 5 min

Atividades físicas, esportes, dieta, chás, massagens, aparelhos ultramodernos, suplementos alimentares... As armas para manter o corpo bonito saudável estão cada vez mais disponíveis na academia ou no supermercado mais próximo. Até mesmo por meio da televisão é possível adquirir produtos que prometem resultados significativos para modelar a silhueta. Mas diante de tantas opções existentes hoje em dia, quais são realmente eficazes? Até onde se pode ir para evitar que a preocupação estética se torne uma obsessão, colocando o corpo e a mente em risco?

Os limites que separam estética e saúde são demarcados por linhas tênues e nem sempre fáceis de localizar, mas abusar do bom senso é palavra de ordem para se evitar um “bombardeio” de informações, aponta o médico ortopedista Darci Duarte. “Em primeiro lugar existe o bom senso para evitar patologias. É preciso ter condições físicas e psicológicas.” O educador físico Diego Silvestre de Barros concorda. Segundo ele, em se tratando de cuidados com a saúde, é fundamental que cada pessoa faça uma auto-avaliação e procure um profissional especializado para, juntos, definirem um plano de ação seguro e eficaz.

Esta foi a atitude do estoquista de papelaria José Guilherme Ramos de Freitas, 22 anos, que luta judô e jiu-jitsu. Para praticar as artes marciais, ele se matriculou em uma academia e iniciou um programa de condicionamento físico, o que inclui musculação. “Melhorou bastante minha resistência, força e velocidade”, diz ele, que se considera um esportista controlado. “Queria ganhar massa de forma rápida por conta das competições, mas percebi que não era por aí”, diz. A tática também foi a adotada por Marcos Adriano Cammarosano, 34 anos. “Busco condicionamento físico. Treino sempre com o acompanhamento de um profissional especializado.”

A seguir, confira algumas dúvidas e táticas que precisam ser levadas em consideração antes de qualquer atividade física.

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Carga dos exercícios

Antes de encarar a malhação, é fundamental consultar um educador físico e um médico, aponta o médico ortopedista Darci Duarte e. “Cada pessoa tem um perfil e, quando vai à academia, faz uma avaliação para saber como está em relação à velocidade de exercícios, peso e massa corporal. E por meio da avaliação médica é observado se existem riscos cardíacos, idade ou se a pessoa toma medicamentos”, diz. Se o profissional percebe que o indivíduo faz parte de um grupo de risco, como hipertensos ou cardíacos, há necessidade de acompanhamento médico mais detalhado. O educador físico Diego Silvestre de Barros concorda e aponta que controlar a carga de exercícios durante o treino é essencial em qualquer programa de exercícios. “É necessário uma fase de adaptação, um período pré-determinado para o aluno iniciar seu treino. Ele começará com exercícios e cargas mais leves. Quanto maior repetições, menor a carga”, diz. A principal restrição é a prática demasiada e a sobrecarga de peso, alerta o educador físico. “Existem alunos que querem pular fases e isto é muito arriscado. Eles devem respeitar quais seus limites biológicos individuais.”

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Alimentação

O atleta ou desportista tem um gasto calórico maior devido ao desgaste de treinamentos intensos, o que consiste na perda de força e resistência, o que pode gerar um estresse físico ou até lesões no caso de excesso de treinamento, explica a personal trainer e consultora nutricional Luciane Vieira. “Mas se o atleta estiver bem nutrido, com um suporte de nutrientes adequados para tal atividade, minimizará esse efeito maléfico do excesso de treinamento e seus resultados serão otimizados”, diz. Segundo ela, a dieta deve ser específica para a modalidade exercida, respeitando a individualidade de cada um. Existem alimentos que quando ingeridos antes de uma atividade física, ao invés de ajudar podem até atrapalhar, observa. Um exemplo é a sacarose (açúcar). “Comer chocolate para dar energia é um erro, pois o açúcar eleva o nível de insulina no sangue e gera uma energia rápida, porém, em seguida, dá uma queda na insulina e a pessoa sente-se fraca. Para sentir-se bem durante uma atividade física é importante uma dieta equilibrada, baixa em gorduras saturadas e açúcares.”

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Suplementos

Hoje em dia, os suplementos alimentares estão sendo muito usados por todos, praticantes ou não de atividades físicas. Eles, realmente, têm função importante, mas é preciso esclarecer o que realmente são, explica a personal trainer e consultora nutricional Luciane Vieira. Segundo ela, os suplementos alimentares são nada mais do que alimentos em forma de pó, cápsulas e gel. “Por exemplo, uma proteína em pó derivada do soro do ou do ovo pode ajudar, uma vez que, aliada a uma atividade física, ajuda no tônus muscular.” Ela reforça que, nos esportes e atividade físicas, a função dos suplementos é dar um aporte maior de nutrientes, mas deve ser sempre aliado à alimentação. “A pessoa deve procurar sempre lojas especializadas para a compra e pedir orientações especializadas sobre o produto”, aconselha.

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Aparelhos

É cada vez mais comum encontrar anúncios de aparelhos eletrônicos que prometem emagrecimento ou definição de músculos sem precisar sair de casa. Alguns, ainda, revelam que nem é preciso se movimentar porque o aparelho “treina” pela pessoa. Segundo o educador físico Diego Silvestre de Barros, é importante ficar atento quanto às promessas mirabolantes. “Alguns produtos trazem, no final do comercial, uma pequena recomendação dizendo que o aparelho acompanha um livro com dietas e exercícios que a pessoa precisa fazer para alcançar os objetivos. O aparelho é um mero detalhe.”

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Anabolizantes

De acordo com a personal trainer e consultora nutricional Luciane Vieira, os esteróides anabolizantes são medicamentos e, portanto deverá ser utilizado somente por prescrição médica. Ela alerta que o uso deste tipo de recurso é ilusório. “A falsa imagem de se estar grande aumentando a massa muscular, muitas vezes, acaba prejudicando a saúde.” De acordo com ela, o aumento da massa muscular para quem objetiva hipertrofia deve ser gradual, lento e uniforme. “Não se aumenta o volume muscular de uma hora para outra. É preciso ter paciência porque construir um corpo musculoso leva tempo e querer abreviar esse tempo pode ser prejudicial”, diz.

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Dietas

Algumas pessoas imaginam que para emagrecer é necessário privar-se de alimentação e exagerar em exercícios físicos. Não raramente, apostam dietas mirabolantes, como a dieta da sopa, do chá, dieta verde, detalha a personal trainer e consultora nutricional Luciane Vieira. Segundo ela, estas medidas não trazem benefícios porque a pessoa necessita de outros nutrientes. “O segredo para um corpo sadio e bonito é uma atividade física orientada e uma alimentação com todos os nutrientes e calorias necessárias para se viver bem.”

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