Ser

Minha história: O crime ‘perfeito’?*


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Tadeu: jovem, bonito, rico, casou-se com Luisa e tem três filhos. Luisa: jovem, bonita, rica, casou-se com Tadeu e tem três filhos. Gustavo: filho mais velho de Tadeu e Luisa, inteligente e bonitinho, tem 6 anos de idade. Thiago: filho do meio de Tadeu e Luisa, esperto e brincalhão, tem 5 anos. João: filho mais novo de Tadeu e Luisa, pequenininho e carinhoso, tem só 2 aninhos.

Vivem como toda boa família deveria viver: os pais educam, os filhos aprendem. Os pais trabalham em seus escritórios de advocacia, os filhos estudam em escolas particulares, renomadas. Contratam alguns empregados para a casa, como faxineira, cozinheira e mordomo, eventualmente até uma babá.

É segunda-feira de manhãzinha e seria aniversário de Tadeu à noite. Tadeu vai a seu escritório, como sempre. Atende a seus clientes com ânimo. No final da tarde, ligam para ele, pedindo que ele fosse a um parque nas proximidades e aguardasse naquele banco onde normalmente se sentava, perto das árvores. Contente ele vai. Espera. Nada... Mas depois se ouve um estalo alto e seco: com um tiro no coração, ele morre.

Duas horas depois, chega à sua casa a triste notícia. Perguntam-se quem seria o criminoso que assassinara o “pobre” Tadeu. Tomam por suspeita a faxineira, que repentinamente resfriou-se e faltou ao serviço, depois de comentar que certa vez o viu sentado naquele banco do parque, enquanto ela esperava no ponto de ônibus. Mas eu sei quem o matou. E não foi ela.

Faz-se o velório com o maior pesar. Mas, na manhã seguinte, as vítimas são os filhos: assassinados também. Uma apunhalada por cada ano de vida. Tomam por suspeita a cozinheira, depois de encontrar facas ensangüentadas na cozinha. Mas eu sei quem os matou. E não foi ela.

E, naquela mesma tarde, ligo para Luisa e conto quem foi o culpado de tudo aquilo. Horas depois, a nova vítima é ela. Enforcada. Há quem diga que ela mesma se suicidou, por não ver mais uma razão para viver, mas, mesmo assim, tomam por culpado o mordomo, pois foram encontrados longos pedaços de corda em sua mala. Mas eu sei quem a matou. E não foi ele.

Agora você deve estar perguntando-se quem foram os assassinos...

A assassina sou eu. A babá. A amante de Tadeu, o canalha do Tadeu... Prometeu-me tudo: casa, carro, família, etc, desde antes de se casar, mas se apaixonou por outra (ou pelo dinheiro da outra) e teve filhos com ela. Filhos que deveriam ser meus.

Sim! Fui eu quem atirou no Tadeu no parque. Nós sempre nos encontrávamos lá. Fui eu quem esfaqueou as crianças. Entrei de madrugada com a chave que tenho, desde que trabalho como babá lá. Peguei uma faca na cozinha e os apunhalei. Depois foi só pôr a faca de novo na cozinha. Fui eu quem enforcou Luisa também. Comprei corda em dobro, pus um pouco na mala do mordomo, o resto levei de volta comigo.

Mas não conte isso a ninguém. Senão...

Nem sei o que me aconteceria...

Você nem sabe o que te aconteceria...

Ana Clara Cruz Nadim

* História fictícia.

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